São Paulo Os produtores de cimento do Brasil planejam aumentar as vendas para os consumidores industriais nos próximos dez anos, alternativa considerada como a melhor forma de estimular o crescimento sustentado do consumo, a longo prazo. Além disso apostam num possível boom da construção civil residencial e comercial.
Mudanças no perfil das vendas da substância e movimentos ainda incipientes de algumas empresas sinalizam que o setor descobriu uma brecha para crescer, sem depender tanto dos ventos favoráveis da conjuntura econômica.
A postura reflete o cenário de mercados desenvolvidos, como o norte-americano e o europeu, onde esse segmento absorve parcelas significativas da produção. Para atingir as metas previstas, as cimenteiras brasileiras ainda dependerão de situações alheias ao controle delas, como os investimentos públicos em infra-estrutura - mas o grau de dependência será menor do que o verificado no cenário atual, no qual as companhias oscilam ao sabor da instabilidade do pequeno consumidor.
Conforme a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a participação desse segmento sobre as vendas do ramo de atividade cresceu entre 1998 e 2001. A expansão é verificada nas duas pontas do processo: nas vendas diretas das cimenteiras ao mercado e no consumo medido após a intermediação de revendedores e atacadistas.
Entre janeiro e setembro, os produtores de cimento registraram vendas diretas de 28,703 milhões de toneladas. Desse volume, 24,1% seguiram para os consumidores industriais; 69,3%, para os revendedores (atacadistas e varejistas), e 6,6% aos compradores finais e particulares (sobretudo, construtoras e firmas privadas). Em 1998, esses porcentuais eram de 19,8% (consumidor industrial); 74,9% (revendedor), e 5,3% (comprador final e particular).
Como os revendedores operam uma poderosa cadeia de redistribuição do produto, os pesos relativos destas participações alteram-se, significativamente. Isto porque os lojistas e atacadistas vendem o estoque de cimento também para consumidores industriais e finais, alterando a segmentação de mercado vista nas vendas diretas dos fabricantes de cimento.
Por isso, considerando-se a redistribuição efetuada pelos revendedores de materiais de construção, o consumo altera-se: dos 28,703 milhões de toneladas vendidas pelas cimenteiras entre janeiro e setembro, 28,4% foram parar nos consumidores industriais (ante 23,1% em 1998); 29,3%, nos finais (construtoras, empresas privadas, órgãos públicos, entre outros), ante 26,2% em 1998, e 42,5% terminaram no comprador particular (pedreiros, empreiteiros e consumidores individuais), ante 50,7%, há três anos.

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