Cimeira poderá ficar sem nenhum resultado prático
Agência Estado
A reunião de cúpula América Latina e União Européia, a chamada Cimeira, que começa segunda-feira no Rio de Janeiro e que reunirá 48 chefes de Estado, não deve trazer resultado prático algum, nem mesmo depois de iniciadas as negociações que prevêem a criação de uma zona de livre-comércio entre o Mercosul e a União Européia. As prioridades dos dois blocos são definitivamente opostas.
Embora o Conselho Europeu (órgão máximo da UE) tenha dado o mandato negociador à Comissão Européia (órgão executivo), o Acordo de Luxemburgo, assinado na segunda-feira, deixa muito claro que as negociações com o Mercosul e com o Chile terão de ser conduzidas e concluídas levando em conta os resultados da nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio, a Rodada do Milênio a ser lançada em novembro, em Seattle (EUA). A rodada deve começar no ano 2000.
O ex-secretário de Estado de Assuntos Europeus, de Portugal, Vitor Martins disse categoricamente a empresários brasileiros que as prioridades 1, 2 e 3 da União Européia são os setores de serviços, serviços e serviços. A posição européia está fechada nessa frente e 90% de sua atenção está e estará voltada para essas áreas na Rodada do Milênio, afirmou Martins, durante o Fórum Euro-Latino-Americano, em São Paulo.
De acordo com ele, a meta dos países europeus é conseguir maior abertura nos setores de telecomunicações, serviços financeiros e sanemento básico (água potável e esgoto), entre outros. Depois dessa três prioridades, acrescentou Martins, vem a área de proteção aos investimentos.
Por sua vez, o Mercosul também tem outras prioridades, antes mesmo de fechar posição sobre a Alca, prevista para entrar em vigor a partir de 2005, e da zona de livre comércio com a UE, ainda sem data definida para seu início. O grande desafio do Mercosul é construir um mercado comum que puna o protecionsimo, coisa que a UE não fez, disse o embaixador Luis Felipe de Seixas Corrêa, secretário-geral de Relações Exteriores.
De acordo com o embaixador, o Mercosul ainda está na fase final de uma união aduaneira imperfeita, que terá de ser todavia consolidadada para chegar a um verdadeiro mercado comum, como políticas macroeconômicas homogêneas e harmonizadas.





