Cigarros e remédios elevam inflação da baixa
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quarta-feira, 06 de maio de 2009
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) atingiu em abril o maior nível desde junho de 2008, quando o índice subiu 1,29%. O indicador subiu 0,73% no mês passado, e mensura o impacto da inflação entre os mais pobres, sendo calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz os aumentos nos preços de cigarros (7,85%) e de medicamentos (2,55%) foram determinantes para o patamar elevado da taxa no quarto mês do ano. Se fossem excluídas as variações desses dois produtos, o IPC-C1 teria subido 0,53% em abril, e não 0,73%, afirmou o economista.
De acordo com ele, essa elevação na taxa foi influenciada pelos impactos pontuais dos aumentos nos preços de medicamentos e de cigarros. Para ele, não há possibilidade de um aumento tão intenso de preços em maio, no âmbito do indicador. Isso porque o auge do impacto dos reajustes nos preços dos medicamentos e cigarros ocorreu esse mês, e não deve se repetir, na mesma magnitude, em maio.
Além disso, o economista observou que há uma grande perspectiva de os preços dos alimentos desacelerarem, esse mês. Isso porque o quinto mês do ano normalmente apresenta quedas nos preços dos alimentos in natura. Desde maio de 2005 até o ano passado, o mês de maio sempre apresentou quedas nos preços dos alimentos in natura, disse o economista.
Ele lembrou que, no âmbito do IPC-C1, as famílias de baixa renda gastam cerca de 41% do total de seu orçamento em compras de alimentos. Ou seja: um cenário de alimentos mais baratos tem muito mais impacto no índice de baixa renda do que no Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que mensura o impacto da inflação entre famílias mais abastadas, com ganhos entre 1 e 33 salários mínimos mensais - sendo que essas famílias deslocam 28% do total de seu orçamento com compras de alimentos. A taxa de inflação de frutas, por exemplo, já diminuiu bastante, de março para abril (de 4,06% para 1,56%). Esperamos uma taxa negativa em maio, em frutas, afirmou.
Além disso, ele comentou que não há previsão de reajustes em preços administrados em maio, o que poderia contribuir para o avanço do IPC-C1 esse mês. A taxa do IPC-C1 deve ser mais baixa (em maio), disse.
Outro ponto levantado pelo economista é que o IPC-C1 pode encerrar o ano de 2009 com taxa mais baixa do que a do IPC-BR. O economista comentou que, até o momento, os preços dos alimentos têm se apresentado de forma comportada, e que não há perspectivas de ondas de aumentos de preços, no setor de alimentação. Mesmo que haja uma quebra de safra, não deve ocorrer em todos os setores de alimentação, afirmou. No ano passado, o IPC-C1 encerrou o ano com alta de 7,37%, e o IPC-BR com elevação de 6,07%.


