Rio de Ja­nei­ro - O Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor - Clas­se 1 (IPC-C1) atin­giu em ­abril o ­maior ní­vel des­de ju­nho de 2008, quan­do o ín­di­ce su­biu 1,29%. O in­di­ca­dor su­biu 0,73% no mês pas­sa­do, e men­su­ra o im­pac­to da in­fla­ção en­tre os ­mais po­bres, sen­do cal­cu­la­do com ba­se nas des­pe­sas de con­su­mo das fa­mí­lias com ren­da de 1 a 2,5 sa­lá­rios mí­ni­mos. Se­gun­do o eco­no­mis­ta da Fun­da­ção Ge­tú­lio Var­gas (FGV) An­dré ­Braz os au­men­tos nos pre­ços de ci­gar­ros (7,85%) e de me­di­ca­men­tos (2,55%) fo­ram de­ter­mi­nan­tes pa­ra o pa­ta­mar ele­va­do da ta­xa no quar­to mês do ano. ‘‘Se fos­sem ex­cluí­das as va­ria­ções des­ses ­dois pro­du­tos, o IPC-C1 te­ria su­bi­do 0,53% em ­abril, e não 0,73%’’, afir­mou o eco­no­mis­ta.
  De acor­do com ele, es­sa ele­va­ção na ta­xa foi in­fluen­cia­da pe­los im­pac­tos ‘‘­pontuais’’ dos au­men­tos nos pre­ços de me­di­ca­men­tos e de ci­gar­ros. Pa­ra ele, não há pos­si­bi­li­da­de de um au­men­to tão in­ten­so de pre­ços em ­maio, no âm­bi­to do in­di­ca­dor. Is­so por­que o au­ge do im­pac­to dos rea­jus­tes nos pre­ços dos me­di­ca­men­tos e ci­gar­ros ocor­reu es­se mês, e não de­ve se re­pe­tir, na mes­ma mag­ni­tu­de, em ­maio.
  ­Além dis­so, o eco­no­mis­ta ob­ser­vou que há uma gran­de pers­pec­ti­va de os pre­ços dos ali­men­tos de­sa­ce­le­ra­rem, es­se mês. Is­so por­que o quin­to mês do ano nor­mal­men­te apre­sen­ta que­das nos pre­ços dos ali­men­tos in na­tu­ra. ‘‘Des­de ­maio de 2005 até o ano pas­sa­do, o mês de ­maio sem­pre apre­sen­tou que­das nos pre­ços dos ali­men­tos in ­natura’’, dis­se o eco­no­mis­ta.
  Ele lem­brou que, no âm­bi­to do IPC-C1, as fa­mí­lias de bai­xa ren­da gas­tam cer­ca de 41% do to­tal de seu or­ça­men­to em com­pras de ali­men­tos. Ou se­ja: um ce­ná­rio de ali­men­tos ­mais ba­ra­tos tem mui­to ­mais im­pac­to no ín­di­ce de bai­xa ren­da do que no Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor - Bra­sil (IPC-BR), que men­su­ra o im­pac­to da in­fla­ção en­tre fa­mí­lias ­mais abas­ta­das, com ga­nhos en­tre 1 e 33 sa­lá­rios mí­ni­mos men­sais - sen­do que es­sas fa­mí­lias des­lo­cam 28% do to­tal de seu or­ça­men­to com com­pras de ali­men­tos. A ta­xa de in­fla­ção de fru­tas, por exem­plo, já di­mi­nuiu bas­tan­te, de mar­ço pa­ra ­abril (de 4,06% pa­ra 1,56%). ‘‘Es­pe­ra­mos uma ta­xa ne­ga­ti­va em ­maio, em ­frutas’’, afir­mou.
  ­Além dis­so, ele co­men­tou que não há pre­vi­são de rea­jus­tes em pre­ços ad­mi­nis­tra­dos em ­maio, o que po­de­ria con­tri­buir pa­ra o avan­ço do IPC-C1 es­se mês. ‘‘A ta­xa do IPC-C1 de­ve ser ­mais bai­xa (em ­maio)’’, dis­se.
  Ou­tro pon­to le­van­ta­do pe­lo eco­no­mis­ta é que o IPC-C1 po­de en­cer­rar o ano de 2009 com ta­xa ­mais bai­xa do que a do IPC-BR. O eco­no­mis­ta co­men­tou que, até o mo­men­to, os pre­ços dos ali­men­tos têm se apre­sen­ta­do de for­ma com­por­ta­da, e que não há pers­pec­ti­vas de on­das de au­men­tos de pre­ços, no se­tor de ali­men­ta­ção. ‘‘Mes­mo que ha­ja uma que­bra de sa­fra, não de­ve ocor­rer em to­dos os se­to­res de ­alimentação’’, afir­mou. No ano pas­sa­do, o IPC-C1 en­cer­rou o ano com al­ta de 7,37%, e o IPC-BR com ele­va­ção de 6,07%.

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