Cigarros e bebidas só à vista
Nos bairros, a venda através da caderneta ainda é muito comum, principalmente em bares e mercearias. No conjunto Ernani Moura Lima (zona leste), a proprietária da panificadora e confeitaria Elidami, Míriam Gomes Bortolazze, trabalha há dois anos, marcando as contas dos consumidores. São 40 clientes no total, que podem levar quase tudo para casa, marcando na caderneta, com exceção de cigarros e bebidas. No local não existe computador. ''Trabalho mesmo com a calculadora e a cadernetinha. Conforme o cliente vai pagando, vou riscando a conta''.
Os valores são de R$ 150 a R$ 400 e quando acontece algum problema, ''é prejuízo na certa'', afirma a comerciante. ''Muitas vezes, chega no final do mês e o cliente não tem como pagar a conta. Algumas vezes damos mais prazo, em outras, ficamos no prejuízo''.
A solução nestes casos, é cortar o crédito. ''Infelizmente temos que fazer isso, mas muitos clientes são fiéis e saldam suas dívidas''. Existem casos, segundo a comerciante, em que os clientes compram o produto num dia e pagam no dia seguinte. ''Trazemos tudo controladinho''.
Para o comerciante Odair Lúcio Bérgamo, que também não trabalha com computador no bar e pastelaria que mantém na Rua Chile, Vila Brasil (área central), a venda com caderneta é tradicional. ''Mantenho o bar há 13 anos e sempre tive clientes marcados na caderneta'', explica.
Os 50 clientes que gastam mas ''penduram'' a conta, quitam os débitos a cada 15 dias ou mensalmente. ''Alguns atrasam uns dias e a gente tem que esperar. Seria bom vender tudo a vista, mas nem sempre é possível''.
O comerciante observa que a maioria quita primeiro as contas como água e luz, para depois ''zerar'' as contas com o comércio. ''Temos que fazer uma seleção do cliente e quem não honra o compromisso, infelizmente, não pode mais marcar'', afirma o comerciante que vende bebidas e cigarros fiados. (M.O)





