‘‘Fechamos o genoma’’. Com essa frase, a pesquisadora Ana Cláudia Raseira, do Instituto de Química da USP, anunciou ontem a conclusão do sequenciamento do DNA da bactéria que causa o cancro cítrico, doença responsável pela queda de 25% da produção de plantas cítricas no Estado de São Paulo.
A Xanthomonas citri tem um genoma de 5,2 milhões de bases -as ‘‘letras’’ A, C, G e T que formam o DNA-, o dobro do da Xylella fastidiosa (praga do amarelinho e primeiro agente causal de doenças em plantas a ser sequenciado no mundo).
Mesmo com todo esse tamanho, foi sequenciada praticamente na metade do tempo gasto com a Xylella. E por apenas 14 laboratórios, contra os 34 que participaram do outro sequenciamento.
‘‘Isso revela o avanço e o amadurecimento da equipe (que também participou do trabalho com a Xylella)’’, disse Raseira da Silva.
A pesquisadora, que é coordenadora do projeto, afirmou que conhecer o genoma da Xanthomonas é essencial para a descoberta da cura para o cancro cítrico.
Hoje, a única forma de conter a doença é a erradicação dos pés de laranjeira, tanto os afetados como os vizinhos saudáveis, por medida de segurança.
A outra saída foi a encontrada pelo Paraná. Através de variedades resistentes, criadas pelo Iapar, o Paraná convive com a doença. Mas para isto avançou na pesquisa em melhoramento genético.
Para avançar de forma mais rápida na busca de genes envolvidos com a moléstia, os pesquisadores entram na fase do genoma comparativo, usando os dados da Xylella e também de outra espécie de Xanthomonas, a campestris, que ataca várias plantas.
‘‘Já temos cerca de 85% do genoma da Xanthomonas campestris pronto. Ela é um modelo biológico, pois infecta a Arabidopsis thaliana (planta-modelo da biologia vegetal). Nossa primeira comparação será com ela. Faremos também com outra que infecta o arroz e está sendo sequenciada por grupos no Japão’’, disse Raseira.
Segundo a pesquisadora, a equipe tem ainda a intenção de sequenciar a Xanthomonas aurantifolia, que infecta apenas limoeiros. ‘‘O interesse é descobrir como se dá o modo de infecção da bactéria, entender essa especificidade’’, explica.
Dos cerca de 4.395 genes da Xanthomonas, o primeiro grupo que será estudado será o daqueles que participam da interação da bactéria com a planta.
Raseira acredita que o trabalho com os dados da Xanthomonas estará pronto para publicação no prazo de três meses.

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