Depois de mais de 50 anos usando veneno de alto teor residual e toxicológico, como os organoclorados, o controle de formigas cortadeiras deve contar, em breve, com métodos alternativos, mais compatíveis com o conceito de sustentabilidade. A pesquisa está concluindo o emprego de produtos a partir de princípios ativos derivados de plantas, os organovegetais.
A informação sobre a nova tecnologia foi dada ontem pela dra. Maria José A. Hebling, da Unesp de Rio Claro (SP). Ela participa do debate ''Formigas: Ameaça ou Alerta?'' (XV Encontro de Mirmecologia), promovido pelo Iapar. Os temas são amplos e incluem estudos sobre formigas em ambientes doméstico e hospitalar.
A criação de produtos à base de vegetais resgata um velho método de controle por derivados de plantas, como rotenona e nicotina, que prevaleceu até o início dos anos 50. Em 1952 surgiram os sintéticos como DDT, enfim os organoclorados, suspenos no Brasil em 1993 - e, antes disso, nos EUA.
Muitas das plantas utilizadas no controle das formigas são velhas conhecidas do agricultor. Entre outras, a dra. Maria José Hebling cita a mamona.
Desequilíbrio Formigas não podem ser vistas apenas como insetos-praga, observa o pesquisador Alfredo Carvalho, coordenador do evento, reportando-se ao tema escolhido este ano. As formigas têm sua função no ecossistema, desempenhando papel no equilíbrio biológico como predadoras de pragas que atacam o milho, por exemplo.
Outra observação de Carvalho refere-se ao rápido deslocamento de formigas cortadeiras do campo para a área urbana. Isto acontece, por exemplo, no Noroeste do Paraná. É um fenômeno que pode estar sugerindo desequilíbrio ambiental na região e tem sido objeto de estudos. Formigas migrando para a cidade constituem um fenômeno que aumentou nos últimos anos e não pode ser ignorado.
O XV Encontro de Mirmecologia é realizado pela primeira vez no Paraná. Foi aberto na segunda-feira à noite pelo presidente do Iapar, Florindo Dalberto, e reúne 40 palestrantes e debatedores que são especialistas de instituições brasileiras e estrangeiras. Participam cerca de 250 técnicos. (Na página 6 do 1º Caderno: as formigas em ambientes hospitalar e doméstico).

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