Cide não será usada no preço da gasolina
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Sandra Manfrini<br> Agência Folha 
Brasília - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, descartou ontem a utilização da Cide (tributo sobre combustíveis) para acomodar um possível aumento do preço dos combustíveis. A contribuição poderia ser reduzida para que um aumento dos preços dos combustíveis não fosse sentido pelo consumidor.
No entanto, Palocci lembrou que o governo jamais aplicou a tarifa cheia da Cide quando os preços do petróleo no mercado internacional caíram para poder formar um colchão que agora permitisse a sua redução. ''Não há espaço para fazer acomodação dos preços a partir da Cide'', disse o ministro, que espera ser esta uma possibilidade do futuro.
Sobre um aumento dos preços dos combustíveis no mercado interno, Palocci disse que quem regula a política de preços é a Petrobras. Segundo ele, a empresa está observando o comportamento dos preços do petróleo no mundo e ela não tem uma reação imediata ao aumento no mercado internacional.
De acordo com o ministro, a estatal deve observar esse movimento para saber se ele é consistente, duradouro e, ''no momento certo'', tomar suas decisões.
Palocci também que as turbulências internacionais recentes são decorrentes do crescimento econômico. O ministro disse não acreditar que o mundo esteja vivendo uma crise parecida com as duas grandes crises do petróleo.
Segundo o petista, há eventos em torno da questão da exploração do petróleo no mundo e do aumento da demanda que fazem com que os preços subam. Mas, para Palocci, todos os problemas no campo externo, com exceção dos conflitos que são negativos, são resultado do crescimento econômico.
Palocci disse que os investidores internacionais mudam suas carteiras de investimento quando há ajustes, o que ''dá um certo calor no debate, no comportamento do mercado''. Ele destacou o fato de as exportações brasileiras terem atingido US$ 80 bilhões em 12 meses como exemplo do ajuste externo ''de grande qualidade' feito pelo país. Segundo Palocci, esse ajuste pode respaldar eventuais dificuldades que o Brasil possa ter.


