Cide dos combustíveis pode aumentar
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Brasília - Um estudo realizado pela área técnica do Ministério da Fazenda propõe que a Petrobras reduza o preço da gasolina vendido às refinarias, mas sem repassá-lo para o consumidor. Essa diferença ficaria nos cofres públicos por meio do aumento do recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Segundo uma fonte do governo, as discussões envolvem, porém, a competitividade do álcool. Se houver uma queda no preço da gasolina, o governo teme que caia a procura por álcool. O setor já reclama da queda dos preços do produto em função do início da safra de cana.
Em relação a redução da Cide sobre o diesel, o governo ainda discute a estratégia. Há uma possibilidade de repassar parte da queda dos preços para as refinarias aos consumidores. Mas o governo também avalia a possibilidade de aproveitar o momento de queda dos preços internacionais do petróleo para ampliar de 3% (B3) para 4% (B4) o porcentual de mistura do biodiesel no diesel. A medida reduziria a dependência das importações de diesel, mas significaria o encarecimento da mistura já que o biodiesel é mais caro.
A Cide para o diesel foi reduzida de R$ 0,07 para R$ 0,03 em maio de 2008, mas ainda houve um aumento para o consumidor de 8,8%.
Para a gasolina, o governo pode retornar os valores da Cide para R$ 0,28. Hoje, é cobrado R$ 0,18. Pelos cálculos da Receita Federal, a perda, em 2009, com a desoneração da Cide para os dois combustíveis é de R$ 1,470 bilhão. Na época do anúncio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estimou a perda anual entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. O governo preferiu perder arrecadação a enfrentar pressões inflacionárias.
Hoje, a queda na arrecadação preocupa, principalmente, porque o governo está sendo obrigado a promover novas desonerações para manter a economia aquecida.
A Petrobras resiste à proposta da área econômica já que a medida provocaria uma redução nos lucros, mas o Ministério da Fazenda entende que a estatal ganhou fôlego de caixa ao ser excluída do cálculo do superávit primário. Por isso, pode investir sem preocupação com o esforço fiscal do governo. ''Não vamos impor nada a Petrobras. O governo faz parte do Conselho de Administração e vai levar o assunto para discussão'', disse a fonte. O assunto, no entanto, não deve ser decidido antes do retorno do ministro Guido Mantega, ao Brasil na próxima semana.
Ele embarcaria ontem à noite para os Estados Unidos onde participará da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e manterá encontro com investidores.
Outra barreira para redução dos preços dos combustíveis nas refinarias vem dos Estados, que perderiam arrecadação de ICMS. Essa perda teria que ser compensada pelo aumento dos repasses da Cide aos governadores.


