A construção de cidades inteligentes depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de utilizar dados e inovação para melhorar a vida das pessoas. Essa foi a principal conclusão do 26º Encontros Folha, realizado na quarta-feira (8), no Centro de Eventos do Aurora Shopping, em Londrina, com o tema "Cidades Inteligentes como ecossistemas vivos – Mobilidade Urbana, Conectividade e Segurança".

Na abertura, José Nicolás Mejiás, o CEO do Grupo Folha de Londrina de Comunicação, destacou que uma cidade inteligente vai além da adoção de ferramentas tecnológicas. "Uma cidade verdadeiramente inteligente não é apenas a que incorpora a tecnologia. É acima de tudo, aquela que usa a inovação para a melhoria da vida das pessoas", afirmou. Segundo ele, o desenvolvimento urbano depende da integração entre cidadãos, empresas, universidades, poder público e instituições para construir cidades "mais humanas, mais seguras, mais sustentáveis e mais preparadas para o futuro".

“Cidades inteligentes é uma temática transversal, pois abrange mobilidade, segurança, saúde e educação, unindo tecnologia, inovação e colaboração para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, disse Éverton Perussi, consultor de negócios do Sebrae. Segundo ele, o Sebrae conecta os desafios às oportunidades de negócios. “É diante das dificuldades que enfrentamos na mobilidade e no trânsito, por exemplo, que entendemos existir uma solução de negócio. Atuamos, portanto, para transformar essa solução em uma oportunidade real”, afirmou Perussi. E reforçou o compromisso do órgão com os negócios, com os empreendedores e com essa temática, para tornar Londrina, cada vez mais, uma cidade inteligente.

A presidente da Londrina Inteligente, Cristianne Cordeiro, afirmou que o evento foi uma oportunidade para “construirmos juntos, refletindo a colaboração que já praticamos em nossa governança. A inteligência artificial e a inovação estão transformando a gestão urbana. É um caminho sem volta.” Ela espera que debates como o promovido pelo Encontros Folha “transforme ideias em ações concretas para que Londrina seja cada vez mais conectada, segura e inovadora”.

Durante o painel, o prefeito Tiago Amaral apresentou ações que a administração municipal vem adotando para aproximar os serviços públicos da população. "Cidades inteligentes usam a tecnologia como meio, mas mantêm o cidadão no centro", disse. Para o prefeito, a gestão deve transformar as demandas da população em informações capazes de orientar políticas públicas. "Cidade inteligente é aquela que escuta o cidadão, transforma essa escuta em dados e usa esses dados para tomar melhores decisões."

Entre os exemplos citados está a plataforma Londrina ON, que reúne solicitações da população por aplicativo, telefone, WhatsApp e internet. Segundo o prefeito, o sistema já registra cerca de 4,5 mil protocolos, com mais de 61% das demandas concluídas, além de servir de base para reorganizar equipes, ampliar serviços e implantar soluções como a UPA Digital. "Os cidadãos são nossos principais fiscais e ferramentas de gestão", ressaltou.

Coordenador executivo do eixo GovTech Paraná, Luiz Gustavo Comeli defendeu que a modernização da administração pública é indispensável para o desenvolvimento das cidades inteligentes. "É possível existir uma cidade inteligente com uma administração pública analógica?", questionou. Para ele, a tecnologia precisa ser acompanhada de mudanças na cultura organizacional e de decisões baseadas em evidências. "Ser uma cidade inteligente não é sobre tecnologia pela tecnologia, é sobre melhorar a qualidade de vida, a mobilidade urbana e enxergar o cidadão de forma integrada."

Segundo Comeli, o poder público também precisa assumir protagonismo no ecossistema de inovação. "A gestão pública não pode ser apenas uma apoiadora do ecossistema, ela deve ser patrocinadora, compradora e investidora."

Especialista em mobilidade urbana e consultora da Urucuia, Geórgia Briano destacou que a mobilidade é elemento central para o funcionamento das cidades. "Nesse ecossistema vivo, a mobilidade atua como o sistema circulatório da cidade, regulando os fluxos de pessoas, carros, bicicletas e pedestres." Ela defendeu que a tecnologia fortaleça a convivência nos espaços urbanos e contribua para reduzir desigualdades, qualificar o transporte coletivo e ampliar a segurança viária.

"A cidade verdadeiramente inteligente deve priorizar a segurança de todos os cidadãos", afirmou, ao lembrar que o trânsito ainda provoca milhares de mortes todos os anos.

Após as apresentações, os painelistas responderam perguntas dos participantes do Encontros Folha. O debate foi mediado pelo consultor e professor da PUC Paraná Cristiano Russo.

Na edição deste fim de semana, a Folha de Londrina traz reportagem especial da cobertura do evento.

Realização: Folha de Londrina; correalização: Sebrae. Patrocínio: Transportes Coletivos Grande Londrina e Casa Queen`s. Apoio institucional: Londrina Inteligente.

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