Cidades do interior fortalecem o processo de integração social
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sábado, 28 de março de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzetoNa BR-277, saída de Cascavel, caminhões de carga rumam para Foz do Iguaçu, na fronteira do Mercosul: bloco precisa avançar mais em novas formas de integraçãoCidades interioranas dos países do Mercosul têm procurado empreender a integração social, além dos aspectos macroeconômicos, ditados institucionalmente pelo tratado e por decisões de governos centrais. Como dificilmente conseguem influir nestas decisões, as cidades formaram um Fórum Regional Permanente do Mercosul, ao qual têm assento prefeitos, empresários e representantes de outros setores, e no qual estreitam o relacionamento comercial e desenvolvem programas principalmente nas áreas cultural e educacional.
O Fórum, constituído há cinco anos e sob a presidência de Juán Carlos Hobecker, prefeito (intendiente) de Posadas, capital da província argentina de Misiones, tem predominância de argentinos e paraguaios mais próximos das fronteiras com o Brasil, e de representantes do Oeste paranaense e iguais regiões de Santa Catarina. O vice-presidente é o prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), para quem o Mercosul é fundamental, no plano econômico, mas outras formas de integração precisam avançar.
Salazar lembra que acima de tudo há nesta parte do continente comunidades com identidade comum, o que o Fórum procura ressaltar. Através do contato propiciado pelas reuniões periódicas - como na sexta-feira, em Posadas - já surgiram diversas parcerias para programas e eventos culturais e educacionais. Em Cascavel, professores são qualificados para lecionar língua espanhola em escolas locais, em programa apoiado por Posadas, que em troca receberá auxílio para a preparação de professores para o Português.
Festivais de música e teatro e mostras de artes plásticas também motivado o intercâmbio entre as duas cidades. Uma exposição aberta sexta-feira em Posadas, e que prosseguirá por quinze dias, conta com obras de quatro artistas de Cascavel. Os campos cultural e educacional são mesmo os que mais avançaram, mas há também contatos (propiciados pelo Fórum) no setor empresarial, com perspectivas de investimentos de industriais argentinos no Oeste paranaense, principalmente em agroindústrias, aproveitando a farta matéria-prima existente.
Grupos de empresários visitaram recentemente a região. Alguns deles, que exportam para o Brasil, mandando mercadorias para regiões distantes, como Rio e São Paulo, disseram que instalar suas indústrias no lado de cá da fronteira facilitaria os negócios e reduziria o custo do frete, mas para isso querem parcerias com empresários locais. As parcerias por enquanto não avançam, porque estes empresários têm menor poder de investimento que os argentinos, que imaginam plantas industriais de grande porte.


