Cidade vai mal também em indicadores sociais
O Indicador Social de Desenvolvimento Municipal (ISDM), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é o índice que leva em consideração o maior número de indicadores. São 28 para as cinco dimensões (habitação, renda, trabalho, saúde, e educação). Em alguns deles, Londrina teve desempenho ruim na comparação com as principais cidades do Estado. O da "proporção de pessoas que vivem em domicílio próprio de algum morador" é um deles. Na cidade, 67,57% da população preenche esse requisito. Já em Paranaguá, segundo o ISDM, são 87,01% e, em Curitiba, 73,08%. Maringá se saiu pior que Londrina neste caso, com 60,78%.
Outro indicador no qual Londrina vai mal é o da "proporção de pessoas com renda domiciliar per capita abaixo da linha de extrema pobreza". São 2,41% contra 1,63% de Maringá, 1,31% de Apucarana e 0,98% de Mandaguari. Curitiba tem mais gente nesta condição: 2,88%.
Na área da educação, um indicador analisado pela FGV chama atenção. É a "proporção de crianças de 0 a 3 anos que frequentam creche". Em Londrina, são apenas 28,97%. Em Curitiba são 39,48% e, em Maringá, nada menos que 46,98%.
Em Londrina, segundo o índice, a "proporção das adolescentes (10 a 19 anos) que já tiveram filho" é alta: 5,03%. A capital tem uma proporção menor, 4,28%, e Maringá, bem menos, 2,5%.
O analfabetismo em indivíduos com mais de 18 anos também é um dado que puxa Londrina para baixo no ranking do desenvolvimento da FGV. Na cidade, ele atinge 4,43% da população, diante de 3,35% de Maringá e 2,22%, de Curitiba.
Para o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco Castro, a industrialização põe Curitiba e Maringá em condições melhores que as de Londrina. "As indústrias se concentram por décadas na região metropolitana de Curitiba e agora vão para a região dos Campos Gerais e também para Cascavel e Maringá", afirma.
Ele ressalta que é preciso tomar cuidado ao comparar os diversos índices, porque eles têm metodologias diferentes e porque "um tem viés mais econômico e outro viés mais social". "Esses indicadores servem mais para medir as gestões municipais", declara.
Na sexta-feira à tarde, a reportagem procurou as secretárias municipais da Educação e da Assistência Social, Janet Thomas e Telcia Oliveira, para que comentassem os indicadores. A primeira, segundo a assessoria, estava doente. E a segunda afirmou que precisava analisá-los melhor antes de tecer comentários. (N.B.)





