CIDADE TECNOLÓGICA - Vocação agrícola favorece pesquisas em Londrina
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domingo, 23 de abril de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
Os primeiros colonizadores que pisaram no chão de Londrina, a ''Pequena Londres'', foram atraídos pela fertilidade do solo. Anos mais tarde, a cidade tornava-se a Capital Mundial do Café e o ''ouro verde'' o grande responsável pelo desenvolvimento da região.
A vocação agrícola foi determinante para o surgimento de dois grandes institutos de pesquisas na cidade: o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), de âmbito estadual, em 1972; e a Embrapa Soja, de âmbito nacional, em 1975.
Hoje, os dois institutos têm reconhecimento internacional como geradores de tecnologias que provocam verdadeiras ''revoluções'' no campo.
O diretor técnico do Iapar, Arnaldo Colozzi Filho, diz com orgulho que ''as tecnologias geradas aqui extrapolaram as fronteiras paranaenses e chegaram a todo o Brasil e ao mundo''.
Segundo ele, os pesquisadores do Iapar são convidados com frequência pela FAO, organismo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, para levar seus conhecimentos a outros países, principalmente à África.
Entre as tecnologias geradas pelo Iapar incluem-se as técnicas de manejo de solo, como curvas de nível, plantio direto, rotação de culturas e adubação verde, que surgiram em função do uso intensivo dos solos no Norte do Paraná.
Também o desenvolvimento de 123 variedades de plantas, que foram melhoradas e desenvolvidas para serem cultivadas no Estado; e o café adensado, uma experiência que surgiu após a geada de 1975, consistindo na concentração de um maior número de plantas na mesma área, o que protege a lavoura contra as geadas e ainda aumenta a produtividade.
Vale ainda destacar o trabalho de desenvolvimento de variedades de laranja resistentes ao cancro cítrico, o que possibilitou ao Paraná voltar a plantar citros, após vários anos de proibição.
No apoio direto ao pequeno agricultor, o Iapar procura orientá-lo em relação a alternativas de produção e geração de renda. Este trabalho vai desde a criação de novas variedades de feijão até o desenvolvimento de máquinas para a pequena propriedade.
O Iapar conta hoje com um quadro de 107 pesquisadores, boa parte já com tempo para aposentadoria. De acordo com o diretor da área técnica, o quadro atual precisa ser renovado em 40% para que o instituto continue realizando seu trabalho de pesquisas.(E.A.)


