Fundada em 1300, tendo como principais recursos naturais o mar e reservas de minério de ferro, Bilbao se firmou ao longo dos séculos como importante porto e pólo industrial siderúrgico e naval da Europa, atingindo seu auge na década de 1950 e um brutal declínio três décadas depois. A falência de suas principais indústrias acarretou índices de desemprego de 25 a 30%, e mergulhou a cidade e região numa aguda crise não apenas econômica e social, mas também urbana e ambiental, com a degradação de seus espaços mais importantes e a morte do rio que a atravessa, o Nervión.
A ''ressurreição'' da cidade se deu a partir de um arrojado e traumático processo de planejamento estratégico, em que seus líderes tiveram a coragem de prospectar o futuro, observar suas tendências e apontar quatro grandes projetos estratégicos capazes de concretizar a nova visão para o futuro da cidade: um novo aeroporto, um dos maiores teatros e centro de convenções da Europa, um Parque Tecnológico e o fantástico Museu Gugenhein.
''Imaginem o risco que foi para nós investir 140 milhões de euros no Museu Gugenhein, sendo que 12 milhões de euros era apenas o preço da franquia paga à Fundação Gugenhein de Nova York'', lembra Ibon Areso Mendiguren, arquiteto urbanista e vice-prefeito de Bilbao há quatro gestões.
Mas a ousadia foi amplamente recompensada. Antes uma cidade de indústria pesada e sem atrativos, Bilbao entrou no mapa cultural da Europa e nos últimos 10 anos teve um incremento de quase 2.000% no número de visitantes, substituindo os antigos empregos industriais por postos de trabalho em hotelaria, gastronomia e turismo. E o Museu Gegenhein, que precisava receber 400 mil visitantes/ano para recuperar seu investimento em dez anos, vem recebendo mais de 1 milhão de visitantes/ano e está no lucro desde 2000.
O mesmo aconteceu com o Parque Tecnológico de Zamudio, na região metropolitana de Bilbao, que já gerou dois outros parques em Victória e San Sebastian. Os três parques, que consumiram 140 milhões de euros em sua implantação e desenvolvimento desde 1985, abrigam hoje 250 empresas de alta tecnologia, que faturam aproximadamente 3 bilhões de euros por ano, oferecem 10 mil empregos e geram, para o governo do País Basco, mais de 220 milhões de euros em impostos diretos e indiretos por ano.

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