Puerto Iguazú perdeu 15 mil habitantes nos últimos dez anos devido à crise econômica iniciada com a dolarização da moeda argentina. No auge do comércio varejista (destaque para a venda de roupas e artigos de couro), cerca de 550 lojas da cidade empregavam 2 mil funcionários, muitos deles moradores de Foz do Iguaçu. Hoje, pouco mais de 100 estabelecimentos comerciais sobrevivem dos turistas que decidem ‘‘passar’’ pelo local quando estão indo às Cataratas do Iguaçu no lado argentino ou se divertir nos cassinos.
Depois de enfrentar tantas dificuldades na última década, os 30 mil moradores esperam ansiosos a inauguração da zona franca que está sendo construída perto da aduana brasileira. Para a direção da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, a cidade não somente voltará a crescer, como poderá se tornar metrópole tal qual Foz e Ciudad del Este no Paraguai, que atualmente contam com mais de 250 mil habitantes. Juan Carlos Aranda, um dos idealizadores do projeto (que está completando dez anos), utiliza como exemplo a cidade de Iquique, extremo norte do Chile. Graças à zona franca instalada pelo governo chileno há 23 anos, 2 mil empresários foram atraídos para a região inóspita, próxima ao Deserto de Atacama. A cidade passou de 75 mil para 275 mil habitantes, sendo 12 mil empregados somente no complexo industrial que movimenta US$ 4 bilhões/ano.
Se em pleno deserto a cidade chilena conseguiu tal desenvolvimento, a localização estratégica de Puerto Iguazú (com atrações naturais da própria região e também de Foz, aliadas ao já cristalizado comércio livre de Ciudad del Este) renova a esperança dos argentinos fronteiriços. Roberto Javier Rios, atual presidente da Câmara de Comércio local, também está ansioso para ver o projeto concretizado e os turistas voltando às compras em sua cidade.
‘‘Existem outras zonas francas na Argentina, mas nenhuma delas terá o ‘comércio minoritário’, onde os estrangeiros poderão adquirir produtos no varejo, de ótima qualidade e ainda aproveitar para fazer turismo na região’’, disse Rios, lembrando ainda que o local contará com um parque industrial livre de impostos e também uma espécie de ‘‘porto seco’’. Depósitos serão locados aos importadores por dia, mês, ano ou ainda por metro quadrado, com custos baseados em tarifas internacionais básicas. ‘‘Com tantas opções ao investidor teremos novamente centenas, quem sabe milhares de postos de trabalho a oferecer. Todo o Mercosul sairá ganhando com este projeto’’, disse Rios. (E.D.)

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