Cidade dos pássaros é referência em móveis
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Dayane Molina de Albuquerque<br> Especial para a FOLHA 
Arapongas é hoje o maior pólo de móveis do Sul do Brasil e o segundo maior em nível nacional. Para se ter uma idéia da importância do município para o setor, de cada 100 móveis produzidos no País, 10 são fabricados na cidade de 96.669 mil habitantes. As empresas do segmento destinam a produção exclusivamente ao varejo e a participação das moveleiras no Produto Interno Bruto do município é de 65%. São 195 pequenas, médias e grandes empresas que geram cerca de 10 mil vagas de empregos diretos e indiretos na cidade. Essa produção coloca ainda o município como o maior consumidor de chapas de aglomerado do País.
Os dados são do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) e, segundo o vice-presidente Giancarlo Bega Pizza, 80% da produção destas empresas são destinadas ao mercado interno. São indústrias que fabricam móveis de linha popular e média, se destinam a todas as classes, mas predominantemente para as classes C e D, diz o empresário que dirige a Madetec.
As empresas de móveis do município investem constantemente em tecnologia e maquinário. Hoje as fábricas de Arapongas já se equiparam às principais do mundo em tecnologia na fabricação de móveis, diz. Outro diferencial que destaca no Brasil e no Exterior a produção mobiliária araponguense são as feiras do setor que se concentram na cidade. A Feira de Móveis do Estado do Paraná (Movelpar), que completa 12 anos em 2009 e se realiza nos anos ímpares, e a Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira (FIQ), que acontece nos anos pares. Os eventos realizados aqui são a grande vitrine das indústrias para o Brasil e o mundo, informa Giancarlo.
O faturamento do setor moveleiro no Brasil em 2007 foi de R$ 20,585 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). Só Arapongas faturou R$ 1.028 bilhão, de acordo com o Sima. Para este ano as expectativas não são tão positivas. O vice-presidente do Sindicato afirma que deve haver queda no faturamento das moveleiras da cidade em cerca de 10% em relação números de 2007. Ele atribui esta redução à diminuição do consumo e disse que este número não é a projeção apenas de Arapongas, mas do segmento de móveis populares. O principal motivo da queda é a concorrência com outros bens de consumo. Para driblar essa competição, seria necessário realizar uma ação conjunta para estimular o consumidor a renovar seu mobiliário, constata.
Para o vice-presidente do Sima o setor moveleiro vive duas realidades distintas. As indústrias que produzem móveis planejados estão projetando grande crescimento neste ano devido à pujança da construção civil, pois dificilmente alguém se muda para um apartamento novo sem comprar novas peças de mobiliário. Já as fábricas que atuam no segmento de produtos populares, como as de Arapongas, estão sofrendo fortemente a concorrência dos celulares, eletrônicos, e veículos, cujo consumo é muito mais estimulado pela mídia, o que faz com que os consumidores deixem a troca do móvel em segundo plano, explica.


