Gilson CamargoProtestoHenrique José Barth, na Boca Maldita, segura uma nota de R$ 1 e a Constituição Federal: salário mínimo deveria suprir as necessidades básicas de uma família, como manda a leiO poeta e escritor Henrique José Barth iniciou ontem, às 10 horas, uma greve de fome para protestar contra a inconstitucionalidade do salário mínimo de R$ 120,00. A manifestação, isolada, vai durar três dias ou menos, se antes desse período o presidente Fernando Henrique Cardoso fizer a leitura, em rede nacional de rádio e TV, do artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal, que diz que o salário mínimo deveria suprir as necessidades básicas de uma família. Esta era a condição para que ele encerrasse o protesto.
Antes de iniciar o protesto Barth não falava quando pretendia encerrá-lo, mas agora ele admite que não pode se estender por muito tempo, alegando que não é um ‘‘suicida’’. O seu objetivo é alertar para a gravidade do fato e abrir o assunto para discussão. Mesmo que o presidente não faça o reconhecimento público da ilegalidade do decreto dentro de três dias, Barth disse que vai considerar sua missão concluída porque acredita que vai colocar o assunto ‘‘na pauta das discussões nacionais’’.
Barth não descarta a idéia que possa vir a incentivar o surgimento de um movimento dos sem-renda, ‘‘se o governo federal continuar a desrespeitar a Constituição’’, para o reajuste do salário mínimo. Ele defende o início imediato de um processo de recuperação do valor aquisitivo do SM.
Henrique Barth, 41 anos, é casado e tem três filhas. É escritor, humorista e edita uma publicação ‘‘Bom Humor’’, distribuída na região Norte de Curitiba. Não depende diretamente do salário mínimo, mas admite que o valor influencia seus rendimentos, já que sobrevive do dinheiro pago pelos anunciantes do bairro que, por sua vez, dependem de assalariados, afirma.
Para Henrique Barth, a população deveria questionar mais o sistema e por isso ele acredita que iniciativas como essa são válidas, mesmo que isoladas. Segundo ele, o governo não é cobrado nas ruas, as pessoas não protestam e por isso o presidente e seus auxiliares se sentem à vontade para adotar medidas, mesmo que inconstitucionais.
Barth denuncia que pelo segundo ano consecutivo FHC desrespeita a Constituição, e o salário mínimo é reajustado abaixo dos índices inflacionários, fator que está ‘‘perpetuando a escravidão dos trabalhadores’’. No primeiro ano do Plano Real a inflação foi de 20% e o reajuste do SM ficou em 12%. No segundo ano, a inflação foi de 10% e o SM subiu 7,5%. Com isso, o governo promove a indexação da economia em prejuízo dos trabalhadores, argumenta.

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