Ciclo recessivo está no fim, diz Fraga
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Agência Estado 
O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou ontem, em almoço com correspondentes estrangeiros, que o Brasil já estaria no fim do ciclo recessivo. Se é que já não acabou, disse Fraga, para quem a recuperação vai começar a partir do segundo semestre, se a queda da inflação permitir que os juros continuem a cair. A recuperação econômica, afirmou, vai acontecer com o aumento das exportações, dos investimentos e do consumo de bens duráveis.
Segundo o presidente do BC, já é possível esperar que o Produto Interno Bruto (PIB) caia apenas 1% ou simplesmente fique estável. Para Fraga, a queda de 4%, acertada no acordo do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), não deve mais acontecer, depois da recuperação da economia brasileira, que aconteceu mais rápido do que o previsto por analistas. Para o ano que vem, ele previu alta de 4% do PIB.
A taxa de inflação também não deve atingir a alta prevista pelo governo e o FMI. Fraga não quis arriscar nenhum índice. Mas lembrou que, em vez dos 17% que eram previstos, o mercado financeiro já trabalha com inflação anual este ano de 12% a 13%, segundo o Índice Geral de Preços (IGP), medido pela Fundação Getúlio Vargas, e de 8% a 9%, segundo os índices que medem o custo de vida para o consumidor (leia nesta página).
O presidente do BC afirmou que o resultado da balança comercial, neste ano, deve ficar em torno de US$ 5 bilhões ou menos. Fraga informou que o Banco Central está preparado para usar todos os instrumentos fiscais e monetários possíveis para reagir a uma possível alta da taxa de juros dos Estados Unidos.
Fraga contou que, neste mês, o BC atuou muito pouco no mercado de câmbio. O BC atuou duas vezes na compra, citou, sem dizer quantas vezes a institiuição vendeu dólares para o mercado. De acordo com ele, o objetivo é de que, no futuro, as intervenções sejam menos frequentes ainda.
Ele acrescentou que as medidas que o Conselho Monetário Nacional (CMN) tomou na quinta-feira, em relação a investimentos no mercado de câmbio, não vão reduzir o nível de dinheiro no mercado. Segundo ele, foram medidas de caráter prudencial, que não trarão grande impacto das instituições financeiras, porque estas já vinham atuando de forma bastante conservadora.
Fraga informou que o governo ainda não decidiu se usará a terceira parcela do empréstimo de socorro que acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ele lembrou que, até agora, o governo usou pouco mais de US$ 3 bilhões, quantia que está abaixo do limite programado para até este mês. Se o Brasil não sacar, será uma decisão positiva, afirmou. Fraga confirmou que, nas próximas semanas, uma delegação do FMI estará no Brasil e reverá as metas do acordo para o segundo semestre.
Ao comentar o regime de metas de inflação, o presidente do BC afirmou que o novo sistema, a ser utilizado a partir de junho, vai dar mais tranquilidade às expectativas do mercado e da sociedade. Além disso, acrescentou, o sistema vai ajudar a evitar a tentação intertemporal dos governos de provocar aumento da inflação para incentivar o desenvolvimento econômico.
Embora seja favorável à quarentena para ex-funcionários do governo que exerçam funções especiais, Fraga advertiu que, na prática, a medida pode ser ineficaz contra o uso de informações sigilosas por servidores que tenham deixado o governo.


