Ciclo dos ganhos
Ainda há muito o que fazer no Brasil para que a atual mentalidade, tanto de empregadores quanto de empregados, esteja mais voltada para o sucesso e a prosperidade do que para a recessão e o fracasso. Quantos ainda gastam mais tempo preocupados com as dificuldades de nossa economia do que em descobrir formas de otimizar suas chances de crescer profissionalmente?
Ao observarmos as empresas, por exemplo, percebemos que a relação entre empregador e empregado muitas vezes não vai além da disputa ferrenha de cada centímetro na divisão do bolo. Essa postura só leva a conflitos nos quais, a médio e longo prazo, todos perdem, aumentando o número de desempregados e de empresas extintas. Quanto desta energia - que poderia estar sendo utilizada, de forma conjunta, na busca de soluções e benefícios a todos - não tem sido desperdiçada?
O empregador, ao concentrar seus esforços na redução de custos, muitas vezes só pensa na redução de pessoal. Esquece - ou desconhece - que ações como a absorção de novas tecnologias, pequenas alterações na planta ou no modelo da empresa, redução e aproveitamento de resíduos, melhor sintonia com os fornecedores, clientes internos e externos, poderiam trazer resultados muito mais significativos. Mais do que isso, sequer imagina que ações deste tipo, além de melhorar sua própria empresa, trazem benefícios diretos e indiretos à economia do país.
Quando as empresas adotam o enxugamento do quadro de pessoal como principal medida para a solução de seus problemas de caixa, prejudicam toda a cadeia produtiva, porque tiram do mercado trabalhadores que também são consumidores. O empregado, por sua vez, quando só se preocupa com o salário e em fazer a sua parte, torna-se um colaborador menos interessado no real crescimento de sua empresa e menos interessante para o sistema como um todo, por ser menos criativo, menos aberto a oportunidades e desafios.
Estar atento às novas chances de crescimento e buscar um constante processo de aprendizagem, são fatores que otimizam a empregabilidade, além de tornar os colaboradores mais confiantes, levando-os a posturas mais ativas e construtivas. Isso aumenta as chances do colaborador dentro da empresa, ou mesmo fora dela, como autônomo ou como dono de um novo negócio.
Assim, independente do papel que desempenhamos no processo produtivo, nosso foco deve estar voltado ao ciclo dos ganhos, no qual a vontade de vencer e a busca pelo conhecimento sejam sempre maiores do que o medo de errar e a incapacidade de aprender com os próprios erros. Mas, para que o ciclo dos ganhos possa acontecer, é preciso que haja mobilização tanto dos empresários quanto dos colaboradores, buscando o crescimento conjunto e uma mudança de mentalidade, dando mais atenção aos nossos pontos fortes e vantagens competitivas do que às nossas fraquezas e limitações.
- Francisco Teixeira Neto é consultor do Núcleo de Atendimento às Empresas do IBQP





