Ciclo de cortes nos juros pode estar perto do fim
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Lucinda Pinto eA lessandra Taraborelli<br> Agência Estado 
São Paulo - A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, deixou claro que o ciclo de alívio monetário está muito perto do fim. Mas não amenizou os riscos em relação à política monetária no longo prazo. A ata deixou em aberto a discussão sobre por quanto tempo a Selic vai permanecer nesse nível baixo, o que abre espaço para a alta das taxas longas de juros. Exatamente como havia afirmado no comunicado divulgada na semana passada, o BC disse na ata que ''qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa''.
Mas avançou pouco na discussão sobre o atual hiato do produto, como esperavam muitos analistas, assunto que poderia oferecer um cenário mais claro sobre a política monetária no médio prazo. Chamou a atenção dos profissionais o fato de o texto excluir a afirmação de que a melhora do cenário prospectivo para a inflação em 2009 e em 2010 não foi, até o momento, incorporada na estrutura a termo da taxa de juros. Essa afirmação, na ata da reunião de abril, foi entendida como um sinal de que o BC não concordava com a inclinação ascendente da curva de juros por não enxergar riscos inflacionários no longo prazo e, por isso, as taxas dos contratos de DI mais longos sofreram forte queda.
O fato de a ata excluir essa observação foi entendida como mais um sinal de que o BC não vislumbra a continuidade da trajetória declinante de juros. E, por isso, os juros de longo prazo subiram com força na abertura dos negócios na BM&F. Mas a ata também indica que, mesmo com os sinais de recuperação da atividade, os riscos de inflação são muito remotos - o que justificou mais um corte de um ponto porcentual, mesmo quando o mercado apostava, em peso, em uma dose menor, de 0,75 pp.
No parágrafo 25, o texto diz que a ociosidade dos fatores de produção ''não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica''. Ou seja, o BC reconhece que há uma recuperação da atividade em curso, mas que a economia tem uma ''folga'' para absorvê-la, sem que a inflação seja pressionada.
De todo modo, os integrantes do Copom concordam que, de agora em diante, o BC terá um ajuste fino a fazer nos juros. E que, por isso, é preciso monitorar com atenção os sinais da economia. O documento observa, por exemplo, no parágrafo 21, que ''a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa, mas há sinais de recuperação em especial no que se refere aos empréstimos para pessoas físicas''. No documento de abril, o BC tratou a recuperação do crédito como ''incipiente''. O BC observa que as decisões de política monetária daqui para frente terão impacto direto sobre a inflação de 2010.


