Cibercriminosos roubaram US$ 1 bilhão de bancos
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Ao longo de dois anos, um grupo de cibercriminosos intitulado Carbanak teria roubado US$ 1 bilhão de instituições financeiras em todo o mundo, inclusive no Brasil. A afirmação é da empresa de soluções de segurança Kaspersky Lab. A gangue teria membros de países como a Rússia, Ucrânia, China e da Europa. De acordo com a Kaspersky Lab, a ação faria parte de um novo estágio da atividade cibercriminosa, em que o dinheiro passa a ser roubado direto dos bancos, e não mais de clientes das instituições financeiras.
O relatório da Kaspersky Lab dá conta que cerca de 100 bancos de 30 países teriam sido afetados, e que os ataques ainda estariam ativos. "Há também instituições financeiras no Brasil que se tornaram vítimas", assegura o diretor do time de Pesquisas e Análises Globais para a Kaspersky Lab na América Latina, Dmitri Bestuzhev, em entrevista por e-mail. Ele, porém, não especificou quantas e quais são as instituições brasileiras.
Os ataques tinham como ponto de partida o computador dos funcionários das instituições financeiras, que eram infectados com um código malicioso. Desta forma, os cibercriminosos estavam aptos a entrar na rede interna da instituição e a invadir os sistemas de vigilância por vídeo. Isso permitiu que os cibercriminosos pudessem observar as telas dos computadores dos funcionários que trabalhavam nos sistemas de transferência de dinheiro. Com informações estratégicas em mãos, a gangue era capaz de transferir dinheiro para fora do banco.
Segundo Besthuzev, os códigos maliciosos chegavam aos computadores dos funcionários dos bancos por meio de anexos de e-mails. "Basicamente, os empregados recebiam e-mails com arquivos comumente recebidos por eles", explica Bestuzhev. "Provavelmente, uma das falhas é da parte humana."
Para realizarem a transferência, os cibercriminosos utilizavam o internet banking e sistemas de pagamento on-line internacional. Para que os donos das contas não suspeitassem da retirada, a gangue entrava nos sistemas de contabilidade do banco e "inflava" os balanços das contas. Os cibercriminosos também agiam tomando o controle de caixas automáticos ordenando que eles liberassem dinheiro em um momento em que um dos membros do grupo estaria ao lado da máquina para coletar o valor.
Questionada sobre a possibilidade de bancos brasileiros terem sido alvos de ataques do grupo mencionado, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ateve-se a enviar uma nota sobre a preocupação dos bancos com a segurança das operações financeiras. "Não há registro de invasão ou fraude eletrônica a partir dos sistemas internos dos bancos", diz o texto.


