Cia. Melhoramentos aposta na
heveicultura no lugar do café

ArquivoLavoura de café sede lugar para cultivo de seringueira no Norte do ParanáA seringueira Havea brasiliensis é uma árvore nativa da região Amazônica que hoje está espalhada pelo mundo inteiro. No Paraná, a heveicultura ainda é bastante incipiente. Segundo Jomar Pereira, o Estado tem uma área de aproximadamente 1,3 mil ha. ‘‘Mas a maior parte é cultivada com árvores obtidas através de sementes, o que gera plantas desuniformes, tanto no tamanho quanto na produção de látex’’, explica.
O pesquisador afirma que para um seringal ter uma produção viável é necessário se produzir mudas a partir de clones de seringueiras produtivas. Apesar de insuficiente, observa Pereira, o Paraná já dispõe dos principais clones de alta produtividade comprovada em cultivos comerciais, que poderiam ser reproduzidos por viveiros, para fomentar a implantação da cultura no Paraná. ‘‘O jardim clonal disponível no Paraná é suficiente para implantar 500 ha/ano’’, afirma.
A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná implantou em Paranapoema uma área de 400 ha. Em 86 ha já se iniciou a sangria. Pereira afirma que os resultados, em termos de produtividade, são superiores aos obtidos no Sudeste da Ásia. ‘‘A produção atinge entre 700 mil e 800 mil toneladas/ha’’, afirma.
Segundo o gerente da Área Agrícola da Cia. Melhoramentos, Mauro Zanini Rossetto, a empresa iniciou o projeto com heveicultura em 1986, com a produção de mudas. ‘‘Como nós tínhamos uma área de café já degradada, era necessário substituir por uma cultura que absorvesse os trabalhadores já empregados e optamos pela seringueira’’, conta.
Rosseto afirma que produção da Cia. Melhoramentos é toda destinada para indústrias do Noroeste de São Paulo. Ele diz que as indústrias pagam R$ 0,72/kg de látex, contra um custo de produção em torno de R$ 0,70/kg. ‘‘Para cobrir os custos de produção e proporcionar uma margem de lucro, as indústrias teriam de pagar entre R$ 0,90 e R$ 1,00/kg’’, afirma.
Falta de apoio No início dos anos 90, o empresário Vitor Rank, proprietário de uma indústria que fabrica banda de rodagem - material de borracha utilizado para recauchutagem de pneus - em Apucarana, desenvolveu um projeto para implantar cerca 1,5 milhão de mudas de seringueiras no Estado. ‘‘O nosso objetivo era produzir matéria-prima para o nosso consumo e para comercialização no mercado e também ajudar a fixar o homem no campo, com geração de empregos’’, diz.
Rank afirma que o projeto seria desenvolvido em parceira com o governo do Estado, que entraria com 50% dos custos de implantação do projeto. Mas, segundo o empresário, depois que as mudas estavam prontas para o plantio, o dinheiro prometido pelo governo acabou não sendo liberado. ‘‘Perdemos todas as mudas’’, afirma. A empresa de Rank consome 100 toneladas de borracha natural por mês, sendo que 20% é de produto nacional, e o restante e importado da Malásia.

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