Curitiba - As chuvas que afetaram o Paraná nas duas últimas semanas trouxeram prejuízos para os produtores rurais e já refletem em aumentos de preços no atacado. E os reajustes, principalmente nas hortaliças, começam a chegar ao bolso do consumidor. Na Ceasa-PR há produtos até 40% mais caros entre o final da semana passada e ontem. Para o consumidor, os reajustes, por enquanto, variam de 1,8% a 10,1%.
A origem dos aumentos está nas perdas que ocorreram nas lavouras do Paraná. O produtor Gilberto Percicoti e o filho Bruno, de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, contam que perderam 70% da produção de alface de um total de 500 mil pés que estavam plantados neste município e em Morretes, no Litoral do Paraná. "Acredito que vamos aproveitar 30% da alface, se o tempo ajudar daqui para frente", disse Percicoti.
Nas outras hortaliças como rúcula, couve manteiga, cebolinha e salsinha a perda foi de 20% a 30%. "Fica difícil estipular o prejuízo financeiro agora", avaliou o produtor. Segundo ele, o preço pago pela alface já teve alta de 100% nos últimos dias e as outras hortaliças de 30% a 40%. E a previsão é que o preço suba ainda mais. No entanto, ele prevê que o aumento de preços não vai compensar as perdas.
Segundo Percicoti, a situação da lavoura de alface de Morretes foi pior ainda porque lá é uma região mais úmida. Ele contou que a lavoura está nas margens do rio Sagrado, que transbordou.
Técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura saíram ontem a campo para iniciar o levantamento das perdas. O técnico agrícola da Emater de São José dos Pinhais Osvaldo Andrade disse que hoje vai iniciar um levantamento dos prejuízos na região. "Houve muita perda nas folhosas", declarou. O engenheiro agrônomo da Emater de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) Izaias Jairo Castoldi estima perdas de 30% nas culturas de alface, rúcula e couve-flor. Segundo ele, os produtores da região têm investido cada vez mais em estufas para evitar perdas.
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) também vai realizar um levantamento das perdas. No entanto, segundo o economista da entidade, Pedro Loyola, a previsão é que tenham sido afetadas as culturas de café, milho, trigo, feijão e arroz. Ele acredita que o excesso de chuvas traga doenças fúngicas para milho, trigo e feijão.
Loyola comentou que as chuvas levaram à enchente nos rios. Isso provocou perda de maquinário, de papéis de contabilidade, rações, móveis e insumos. Além disso, houve atraso no plantio de trigo, principalmente no Sudoeste do Estado e na colheita e plantio de cana-de-açúcar.
O tempo ruim também afetou os bovinos. Segundo o economista, em Querência do Norte morreram 1,2 mil animais e em Douradina 2 mil bois foram levados pela cheia do rio Ivaí. O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte, Alexandre Turquino, disse que o caso mais grave foi em Douradina. Segundo ele, com a entrada do inverno houve um aumento sazonal no preço da arroba do boi gordo de R$ 96 para R$ 98.

Imagem ilustrativa da imagem Chuvas trazem perdas aos produtores
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