Chuvas também provocam estragos na área rural
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
A forte chuva que atingiu Londrina e região no final de semana - 113 milímetros de precipitação entre meia-noite de sexta-feira até 7 horas de ontem - também afetou a zona rural. Na Zona Norte por exemplo, a enxurrada derrubou encostas na Warta. Além disso, a terra de áreas que estavam prontas para o plantio da safra 2011/12 foi parar no meio da rodovia.
Paulo Barbieri, meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, comentou que a quantidade enorme de água que caiu na região foi bastante atípico e salientou que, só no sábado, a chuva acumulada atingiu 94,8 milímetros. ''Nos últimos 17 dias, o volume acumulado foi de 213 milímetros'', destacou o especialista, completando que a média esperada para todo o mês era de 139 milímetros.
Segundo avaliação do pesquisador da Embrapa Soja, Julio Franchini, ainda é cedo para contabilizar os prejuízos. Por outro lado, observou que quando há a ocorrência de uma chuva de forte intensidade pode acabar compactando o solo. Para quem já iniciou o plantio, isso traz dificuldades para a germinação da semente. Por isso, conforme o pesquisador, os primeiros indícios de perdas só poderão ser percebidos no crescimento das plantas.
Além disso, Franchini citou que outro risco que pode surpreender o produtor é a perda de insumos que ficam na superfície da terra e acabam sendo levados pela enxurrada. ''Nos primeiros cinco centímetros do solo é onde se concentram boa parte dos nutrientes'', completou.
Mas apesar de lamentar a intensidade, o pesquisador ponderou que a chuva veio em um bom momento. ''Já esperávamos essa precipitação, mas não com essa força'', salientou. Franchini alertou, por outro lado, que o produtor deve ficar atento no momento do plantio. ''O agricultor não pode colocar suas máquinas para plantar com o solo muito úmido, pois irá compactá-lo'', orientou.
Manejo é solução
O engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Erich Schaitza, orientou que um manejo adequado do solo pode ajudar o agricultor a ter menos prejuízos em épocas do ano com chuvas intensas como as dos últimos dias. Segundo ele, ações simples antes de iniciar a safra podem evitar, por exemplo, que os insumos presentes no solo sejam levados pela enxurrada.
Schaitza explicou que a adoção de terraceamento, construção adequada das estradas rurais e também de piscinões para armazenar a água da chuva, são técnicas simples que podem salvar a lavoura de grandes tempestades. A primeira avaliação que o agricultor deve fazer, afirmou o agrônomo, é se aquela área que irá ser plantada é adequada à produção. ''Solos com textura fraca e terrenos com alta declividade não são indicados para o plantio'', destacou.
Para as demais áreas, Schaitza apontou que a primeira estratégia que o produtor deve adotar é fazer as curvas de nível. ''Com essa medida, o produtor evita a erosão e a retirada dos nutrientes do solo pela enxurrada.'' O agrônomo ressaltou que mesmo aqueles que fazem plantio direto têm a obrigação de realizar o terraceamento.
O especialista da Seab comentou ainda que muitos produtores paranaenses deixaram de terracear nos últimos anos achando que só o plantio direto já seria suficiente. ''Isso é um erro'', criticou. Quanto às estradas rurais, Schaitza completou que é necessário que a via seja construída em um nível acima do da lavoura. ''Além disso, o produtor deve se atentar com a construção das caneletas, que precisam ser dirigidas diretamente para a lavoura ou para os piscinões'', concluiu.


