As chuvas prejudicaram a safra de trigo, que já apresenta uma quebra de 10,5% (191.900 toneladas) e prejuízos de R$ 30 milhões. Se forem computados os prejuízos por perda de qualidade do grão, eles podem dobrar, informou ontem o técnico da Seab, Otmar Hubner. Se persistir o quadro de instabilidade climática, a quebra pode ser maior, previu o diretor do Departamento de Economia Rural, Norberto Ortigara. Ele salientou que o excesso de chuvas frustrou as expectativas da Seab, que apontavam uma colheita de 1,82 milhão de t, reduzida, agora, para 1,63 milhão de t. A produtividade recorde que estava sendo esperada, acima de 2.100 kg/ha, caiu para 1.821 kg/ha.
Só no Oeste, a redução de safra atinge 165.678 t, que equivale a uma quebra de 28,82% da produção regional. Na região Centro-Oeste foram perdidas 71.695 t e no Sudoeste, 17.436 t. Essas perdas foram compensadas em parte pelo aumento de 10,9% da produção do Norte que este ano colheu 63.539 t a mais que na safra passada. Quando começou a temporada de chuvas, a maior parte das lavouras da região já havia sido colhida e o rendimento obtido foi de 2.076 kg/ha.
A preocupação agora é com as lavouras do Sul, cuja colheita está próxima. ‘‘Se as chuvas persistirem, ocorrerão quebras também nessa região, já que quanto mais se aproxima o período da colheita aumentam os danos provocados pelas chuvas’’, destacou Hubner. A umidade favoreceu a proliferação de doenças fúngicas e a germinação dos grãos. A produção, que teve bom desenvolvimento desde a semeadura até o mês de agosto, e seria em sua maior parte classificada como tipo I, teve sua classificação reduzida.
Conforme a Seab, 53% da produção colhida até agora (44% da área), foi classificada como tipo 2 e 3 ou transformada em triguilho, com peso hectolítrico (PH) igual ou inferior a 72. O técnico da Seab calcula que pelo menos 5% da produção (82.000 t), está sendo destinada à composição de ração animal. Apenas 42% da produção colhida até agora foi classificada como tipo I.
Produtor recebe menos O excesso de chuvas derrubou o preço do trigo no Oeste do Estado. Os produtores estão recebendo entre R$ 110,00 e R$ 136,00/t, preços mínimos fixados para os tipos II e III, cuja qualidade foi afetada em função da perda de peso. Quem está vendendo a produção para ração animal está amargando prejuízos mais acentuados: a saca de triguilho está cotada a R$ 4,00 a saca (contra R$ 9,50/saca do grão normal, PH 79).
Para empatar com os custos de produção e cobrir a dívida de custeio, o produtor teria de colher 110 sacas/alqueire, e a maioria está colhendo abaixo disso, disse Paulo Buss, gerente de comercialização da Coopacol, de Cafelândia. Nesta região, a previsão da cooperativa era colher de 1,9 milhão a 2 milhões de sacas de trigo. Buss acredita que entre 15% a 20% da produção na região (1,9 milhão de sacas) será destinada para ração animal.
Buss lamenta a situação difícil que se encontra o produtor. Segundo ele, o produtor investiu muito nesta safra, estava satisfeito com o desenvolvimento da produção e na hora da colheita, perdeu a safra.‘‘Pior para quem não fez custeio que não pode recorrer ao Proagro’’, acrescentou.
Para a Cotrefal, de Medianeira, os prejuízos em sua região não são tão acentuados, porque a maior parte da safra foi classificada com tipos II e III. Ocorre que essa produção está tendo demanda por parte dos moinhos para fabricação de bolachas e macarrão, disse o técnico da cooperativa José Alberi Meller. Segundo ele, parte dessa produção é adquirida para fazer um ‘‘mix’’ entre o trigo de classificação superior e o intermediário.
Meller admite que a quebra de produção na área de influência da Cotrefal foi grande. Eles previam receber entre 400.000 e 500.000 sacas e vão receber cerca de 200.000 sacas. Na sua avaliação o volume de produção destinado para ração animal ainda não é grande a ponto de influenciar nas cotações de milho, como chegou a ser cogitado.

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