Chuvas prejudicam hortaliças e frutas
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terça-feira, 18 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoEncharcadoAs chuvas de novembro, acima da média dos últimos 30 anos: excesso em todo o Estado As chuvas das últimas semanas já estão provocando prejuízos à produção de feijão, batata, hortaliças e frutas na Região Metropolitana de Curitiba. Em Colombo, tradicional produtor de olerícolas (70 mil toneladas/ano), a quebra da produção de alface está estimada em 50%. Outras folhosas registram perdas de 30%, segundo levantamento da Emater. O problema maior é que as chuvas estão provocando quebras num momento de concentração da produção de verduras e legumes, avaliou a agrônoma Rosângela de Almeida.
Nas regiões Norte, Oeste e Sudoeste, as chuvas interrompem o plantio mas não chegam a ser problema grave, a não ser o atraso na colheita de verão e plantio da safrinha ano que vem.
Além do alface, também o tomate, abobrinha, berinjela, repolho e brócolis, apresentam doenças em função do excesso de umidade. Em São José dos Pinhais, outro município líder na produção de olerícolas com uma produção de 110 mil toneladas, a situação não é diferente. O secretário municipal da Agricultura Darcy Paula Mendes reuniu ontem os produtores da região para avaliar os estragos. O problema é que a maioria dos produtores, entre 60% e 70%, planta com recursos próprios e não tem com quem dividir os prejuízos, salienta.
Além dos prejuízos dos produtos que estavam em ponto de colheita, as chuvas estão atrapalhando o plantio e comprometendo a qualidade dos produtos, afirmou Rosângela Almeida. Segundo a técnica, a alta no preço dos produtos deve refletir no mercado em dez dias.
Com a redução da oferta, os preços tendem a reagir, mas não o suficiente para estimular o produtor que já vinha desorientado em função da queda de consumo. Para se ter uma idéia, o tomate estava sendo vendido entre R$ 4,00 e R$ 5,00 a caixa, enquanto o produtor já vinha amargando um prejuízo em relação ao custo de produção, fixado em R$ 5,50 a caixa.
Em São José dos Pinhais, os produtores não sabem o que é pior: as vendas fracas, em função do baixo consumo, ou a chuva que compromete as lavouras. Segundo o secretário da Agricultura, a Ceasa está devolvendo cerca de 50% das entregas feitas pelos produtores. A cenoura está sendo vendida entre R$ 1,50 a R$ 1,80 a caixa com 20 quilos e o repolho a R$ 0,50 o saco com dez cabeças.
As frutas mais prejudicadas são o pêssego, ameixa e nectarina. Segundo o técnico da Emater, Edmundo Hardlich, as chuvas estão inviabilizando a colheita e os frutos estão apodrecendo na planta. Ele não soube avaliar as perdas. Segundo a Emater, estimava-se uma produção de 8 mil toneladas de pêssego, 3 mil t de ameixa e cerca de mil t de nectarina.
Os produtores não conseguem fazer o tratamento fúngico e as doenças estão se proliferando, disse Hardlich. As regiões mais afetadas pelas chuvas são a metropolitana de Curitiba, Lapa, Irati e Sudoeste. Ele prevê problemas também com a produção de uvas, pêssego e goiaba da região Norte do Estado em função do excesso de chuvas. Hardlich acredita que vai ser difícil para o produtor de pêssego repetir as vendas do ano passado quando vendeu a produção entre R$ 0,40 e R$ 0,50/kg, enquanto esse ano os preços praticados estão inferiores, afirmou.


