Curitiba - Além de atrasar a colheita de culturas como o feijão, as constantes chuvas em todo o Paraná começam a causar outros problemas com a proliferação de fungos nas lavouras de soja. Os agricultores, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), estão finalizando a semeadura da safra 2002-2003 em uma área recorde de cerca de 3,5 milhões de hectares.
O plantio de soja já atingiu aproximadamente 98% da área total. Por enquanto, os técnicos descartam quebra de produção, uma vez que o problema atinge apenas 1,5% da área plantada. A previsão é de que a safra 2002-2003 seja no mínimo 5,93% maior em relação à anterior, com a colheita de 9,98 milhões de toneladas. A projeção mais otimista é de uma safra de 11 milhões de toneladas ou 16,65% maior em comparação ao volume do ano passado.
O excesso de umidade, explicou o técnico do Deral, Otmar Hubner, favorece a proliferação de fungos, principalmente, em lavouras que estão sendo cultivadas há vários anos com plantio intercalado de soja e milho safrinha. Essa prática acaba aumentando o grau de compactação do solo.
A incidência de fungos tem variado de lavoura para lavoura. A situação, segundo Hubner, é um pouco mais intensa na região Norte onde se concentram 28% das lavouras de soja do Estado e em Campo Mourão, no Centro-Oeste. Em regiões de solo arenoso, como Umuarama e Paranavaí, os problemas são menores. Há lavouras em que foi necessário efetuar o replantio parcial e outras áreas estão sendo substituídas por milho.
Mais de 80% da área de soja utiliza o plantio direto como prática de conservação dos solos, contribuindo para uma maior retenção de água e de nutrientes. ''Casualmente o problema de fungos atingiu lavouras onde é feito o plantio direto'', afirmou Hubner. A técnica de conservação do solo, no entanto, não pode ser apontada como culpada pelo surgimento dos fungos. ''Faltou experiência por parte do produtor para trabalhar a descompactação do solo, mas sem o plantio direto os problemas poderiam ser maiores'', acrescentou o técnico.
Os fungos causam, entre outros prejuízos, a morte das plantas devido à podridão de raízes, estrangulamento do caule e secagem das folhas, morte em reboleiras, tanto em terraços como em outras áreas das lavouras.

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