Chuvas podem aumentar fila no porto
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quarta-feira, 05 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A intensidade das chuvas pode elevar o tamanho da fila de caminhões que estão escoando soja e farelo pelo Porto de Paranaguá, no Litoral. Se o clima estiver chuvoso, todo o sistema de descarregamento de grãos no porto é prejudicado e certamente a fila aumenta ainda mais. Ontem, com a maior parte do período de tempo bom, a fila atingiu 39 quilômetros ao longo da BR-277 quando aproximadamente 1,2 mil caminhões permaneceram parados à espera de descarregar soja e farelo.
Estavam atracados dois navios, com 57 mil e 60 mil toneladas respectivamente, que estavam sendo carregados com soja em grão. Um terceiro navio atracado no porto estava carregando cerca de 30 mil toneladas de farelo de soja, todos com destino ao mercado europeu e asiático. Enquanto isso, outros 10 navios estão esperando ao largo na Baía de Paranaguá para atracar, sendo que seis navios vão carregar cerca de 340 mil toneladas de soja e quatro navios vão carregar farelo de soja.
As filas começaram a se formar no sábado e não houve interrupção no trabalho de descarretamento. De acordo com o superintendente do Porto, Eduardo Requião, pela primeira em seus 68 anos, o porto operou normalmente num feriado de terça feira de Carnaval. No porto estão sendo descarregados, em média, 200 caminhões por hora; volume que contribui para agilizar o escoamento dos grãos, informou a assessoria do porto. Cooperativas e tradings se apressaram em programar o maior volume de caminhões possível em direção a Paranaguá, para embarcar os navios que estão chegando para levar a produção.
O superintendente do porto pede a colaboração dos usuários no sentido de respeitar a programação de embarque. Eduardo lembra ainda que em todas as semanas representantes do porto e dos nove armazéns privados que operam no porto se reúnem para definir a programação de embarques. O objetivo é organizar o recebimento e o envio de cargas para evitar congestionamentos, justificou.
Este ano o volume de navios e caminhões está bem acima da média registrada no mesmo período do ano passado, em função da concentração das vendas. Cerca de 19% do volume de soja que será colhida este ano no Paraná já foram vendidos antecipadamente entre o final do ano passado e começo deste ano. Com isso, a previsão é que pelo menos 2 milhões de toneladas de soja em grãos devem ser embarcadas o mais rápido possível.
Os produtores também estão acelerando a colheita para aproveitar os períodos de tempo bom. Se chover muito, a produção apodrece no campo e pode prejudicar o escoamento dos grãos, disse o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), Otmar Hubner. Segundo ele, o Paraná se prepara para colher uma nova safra recorde de soja, cerca de 10,5 milhões de toneladas; e pelo menos metade disso deve ser exportada pelo porto paranaense.


