O aumento das chuvas desde quinta-feira está agravando as perdas na agricultura. A umidade está prejudicando o trigo e o feijão. No trigo, o Deral/Seab calcula que os prejuízos já somam R$ 33 milhões. Norberto Ortigara, diretor do Deral, não arrisca previsões sobre perdas no feijão, mas elas poderão ficar evidentes dentro de duas ou três semanas.
As maiores perdas estão ocorrendo nas regiões Oeste e Sudoeste, que concentram 46% e 11% da produção de trigo e feijão. Segundo Deral, de uma expectativa de 1,68 milhão de t de trigo, agora se prevê uma redução de 9%, devendo cair para 1,5 milhão a 1,55 milhão de t. A perda de 150 mil t na colheita implica em prejuízos de R$ 23 milhões, calcula Ortigara.
Além da perda física, está havendo uma piora na qualidade do grão, com maior presença de triguilho e grãos escurecidos. Além disso, a alta umidade dos grãos que estão sendo colhidos exige mais tempo de secagem, o que provoca a rejeição por parte da indústria. Ortigara calcula que do volume de trigo colhido até agora (1,3 milhão de t), pelo menos 5% será destinado para ração.
Segundo Ortigara, o excesso de chuvas na colheita do trigo frustrou a expectativa dos produtores que previam colher 85% da produção com a classificação de trigo superior. Hoje apenas 50% a 55% da produção estadual deve atingir essa classificação. O restante do trigo deverá ser enquadrado na classe intermediária, usada para panificação, mas misturado com outro grão top de linha para dar um resultado satisfatório. O trigo com classe superior foi colhido na região Norte do Estado, que não foi atingido pelas chuvas. Lá a produção atingiu 507 mil t, que corresponde a um terço da produção estadual. A produtividade ficou acima de 1,8 mil kg/ha, desempenho considerado satisfatório.
A diferença de classificação vai refletir no bolso do produtor. Segundo o Deral, pelo menos 380 mil t da produção estadual estão afetadas pelas chuvas com grãos germinandos e de baixo pH. Com a perda de aproximadamente R$ 1,50 por saca em função da qualidade, Ortigara calcula que os prejuízos somam cerca de R$ 10 milhões. Enquanto os grãos com pH superior a 78 são comercializados com preços que variam entre R$ 9,60 e R$ 10,20 a saca, o grão com pH 75 a 77 atinge cotação entre R$ 8,40 e R$ 9,00 a saca. Abaixo do pH 75, a cotação reduz para R$ 7,50 a R$ 8,00 a saca e o triguilho é vendido por R$ 6,00 a saca. A aveia, cevada também estão tendo problemas com a qualidade dos grãos em função do excesso de umidade. O Deral constatou redução na produção de aveia da ordem de 20 mil toneladas.

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