Vânia Casado
De Curitiba
As chuvas dos últimos dias em várias regiões do Estado estão permitindo a retomada do plantio de soja em quase todas regiões do Paraná. Nos municípios onde choveu bem, revertendo o quadro de estiagem anterior, os produtores estão plantando dia e noite para recuperar o tempo perdido. Muitos produtores do Paraná, São Paulo e Mato Grosso estão em dúvida se devem ou não mudar as cultivares recomendadas. A Embrapa-Londrina emitiu nota oficial, ontem, tranquilizando os produtores que até o dia 15 de dezembro, período ideal para o plantio de soja, as práticas recomendadas inclusive as cultivares indicadas, continuam valendo.
Para a agricultura a situação foi amenizada com as chuvas, mas a engenheira agrônoma do departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, Vera Zardo, salientou que em alguns municípios o quadro permanece crítico. Ela citou como exemplo os municípios das regiões de Cornélio Procópio, Campo Mourão, extremo Oeste do estado, Londrina, Paranavaí, onde as chuvas foram irregulares e insuficientes. O Deral destaca que na região de Ponta Grossa, com exceção do município de Reserva, e nas regiões de Curitiba, Irati, Francisco Beltrão, Pato Branco e União da Vitória, a situação melhorou bastante para a agricultura.
Em muitas regiões, a agrônoma do Deral acredita que haverá necessidade de replantio da soja, porque a germinação foi desuniforme com função da estiagem. Mas ela destaca que há tempo da cultura se recuperar. Até a semana passada, 84% da área prevista de 2,81 milhões de hectares estavam semeados com soja. A preocupação é com a cultura do milho, principalmente na região de Toledo que pode apresentar as maiores quebras de produção. Fala-se em perdas de até 60% na produção de milho em alguns municípios do Oeste.
A Embrapa alerta que quem está plantando soja nessa época pode enfrentar uma queda na produtividade que pode variar de 10% a 40%, afirmou o pesquisador Milton Kaster. ‘‘A medida que atrasa o plantio, aumenta o risco de perda’’, acrescentou. Kaster recomenda aos produtores que estão plantando agora que devem semear no mínimo 400 mil plantas por hectare. Isso porque com o aumento da densidade da semeadura, é possível assegurar um bom nível de população e, pode-se evitar perdas, justificou.
Outra observação importante feita pelo pesquisador para os produtores que quiserem garantir bons níveis de germinação é o investimento em tratamento de sementes com fungicidas. Segundo os pesquisadores, o agricultor que perdeu a lavoura e quiser fazer o replantio, não precisa fazer nova adubação.

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