Chuvas elevam perdas na agricultura
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Vânia Casado 
As chuvas intermitentes que ocorrem no Paraná desde a semana passada estão castigando a agricultura. Feijão, trigo, frutas e hortaliças são os produtos mais prejudicados. A previsão é de uma quebra de 10% a 15% na produção de hortaliças, provocada também pela dificuldade de controlar as doenças. As chuvas ainda atrasaram o plantio de hortaliças da safra de primavera-verão e de batata da região metropolitana de Curitiba.
Nesta época do ano a produção de alface no Estado é de 1.000 toneladas/mês. Com as chuvas, esse volume será reduzido em até 15%, afirmou o coordenador do setor de hortaliças da Emater, Iniberto Hamerschimidt. Para evitar reflexos na comercialização, os produtores estão fazendo provisão no plantio desde o final do inverno, quando começou a temporada de chuvas.
Se ele quer colher 5.000 cabeças de alface, planta 7.000 cabeças, explicou. Além da quebra de produção o excesso de umidade aumenta a incidência de doenças fúngicas, prejudicando a qualidade de produtos como repolho, alface, cenoura e beterraba.
As frutas de clima temperado com colheita prevista entre outubro e dezembro também estão sendo prejudicadas porque o excesso de chuvas abortou as flores, explicou o técnico da Emater, Edmundo Hardlich. As frutas mais prejudicadas são o pêssego e a ameixa de caroço, cuja safra será menor, acrescentou. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural, da Seab, a safra de pêssego, avaliada em 10,7 mil t, será reduzida.
Cereais No Sudoeste, os produtos mais prejudicados são o feijão e o trigo, que devem registrar novas perdas. O técnico da Seab, Otmar Hubner, disse que a preocupação é com o trigo plantado na região Centro-Sul e Sul que está em ponto de colheita. Se a chuva não parar, a produção dessas regiões que antes não haviam registrado perdas, serão afetadas, afirmou. No primeiro levantamento pela Seab, o índice de quebra na produção estadual do trigo era de 10,5%.
Mas Hubner acredita que a redução já é maior em função do excesso de chuvas. Um segundo levantamento que será feito pelos técnicos da Seab está prejudicado porque os técnicos não conseguem entrar nas lavouras para fazer outra avaliação. O prejuízo já é grande na região Sudoeste do Estado, disse o técnico do núcleo regional da Seab em Francisco Beltrão, Antoninho Fonatanella.
A produção de trigo na região, que deveria alcançar 70 mil t, deverá ter uma quebra de 50% entre a perda de produção e a queda na qualidade. Cerca de 20 mil a 25 mil t já estão perdidas. As chuvas dessa semana devem acentuar essas perdas. Cerca de 40% da produção teve o valor de R$ 9,00 a saca, rebaixado para R$ 7,00 a saca, valor fixado para o tipo 3. Outros 30% da produção estão sendo destinados a triguilho, que está sendo comercializado entre R$ 3,50 e R$ 4,00 a saca e 30% está abaixo do padrão, que está sendo destinado para fábricas de ração e de cola.
O feijão também está sendo fortemente prejudicado na região, disse Fontanella. Ele avalia que pelo menos 160 mil sacas que seriam colhidas nas lavouras próximas ao rio Iguaçu estão definitivamente perdidas, devendo causar um prejuízo de R$ 7 milhões aos produtores da região.


