Chuvas devem influenciar alta no preço do feijão
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Ana Paula Nascimento<br>De Londrina 
A qualidade ''visual'' do feijão é muito suscetível ao excesso de umidade, que escurece e provoca manchas no grão. Por ser um produto comercializado ''in natura'', o feijão tem seu valor comercial diretamente relacionado à aparência.
''A fase é crítica e se as chuvas continuarem, deverá haver perdas significativas, o que provavelmente ocasionará alta nos preços, embora o momento seja de oferta. Por outro lado, os grãos podem ficar comprometidos e terem valor de venda reduzido'', informou ontem o economista rural Paulo Sérgio Franzine, do núcleo regional da Seab, em Apucarana.
No início da semana, os preços para o feijão carioca variaram de R$ 38,00 a R$ 41,00/saca, e ontem o carioca já estava sendo negociado entre R$ 40,00 e R$ 45,00. Em Prudentópolis, uma das principais regiões produtoras de feijão preto, havia indicações, ontem, de negócios a R$ 75,00, direto ao produtor.
O cerealista Cícero Malucelli também concorda que as chuvas podem favorecer preços e influenciar a firmeza do mercado, mas a tendência é que os preços continuem recuando na entrada de safra. ''Os preços não podem continuar aumentando, porque se não em março o feijão poderia ser negociado a R$ 120,00/saca, o que não seria viável para o mercado'', disse. Malucelli também comentou que a procura por feijão continua grande, principalmente para o feijão preto, que está com o mercado cada vez mais ampliado. ''Temos recebido bastante interesse de compra por parte de cidades do Nordeste'', comentou Malucelli. O especialista afirma que os estados que estão produzindo feijão de alta qualidade são Minas Gerais e Goías.
Segundo o meteorologista Tarcísio Costa, do Simepar, as previsões indicam mais chuvas nos próximos quatro dias, com pancadas mais fortes na parte da tarde, em todo o estado.
Somente no dia de ontem, até às 16 horas, a região de Londrina, apresentou o maior volume de chuvas do estado: 62,2 milímitros, uma forte concentração considerando que do dia 1º de dezembro até a zero hora de ontem o acumulado era de 18,6 milímetros. A média histórica da região é de 213 mm no mês de dezembro. Em Maringá, as chuvas também foram intensas, chegando a 42,8 milímetros até às 16 horas de ontem.
As leituras do Simepar apontavam os seguintes resultados nas regiões mais ''chuvosas'' do Estado, da zero hora às 16 horas de ontem. Londrina: 62,2 mm. Maringá: 42,8 mm. Jaguariaíva: 38 mm. Apucarana: 28,4 mm. Paranavaí: 26 mm. Campo Mourão: 21 mm.


