Enquanto a seca no Nordeste reduz a safra nacional de grãos (o ministro Turra anunciou ontem uma quebra de 2,6 milhões de toneladas em relação à previsão de 78,2 milhões de t), no Paraná são as chuvas que prejudicam. Neste final de mês as chuvas interromperam a colheita de verão e os plantios de inverno.
O Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, calcula uma perda de 360,8 mil t de grãos, 34 mil t de algodão e mais 70,7 mil t de outros produtos, entre batata, cebola e fumo. O prejuízo total estimado é da ordem de R$ 162,3 milhões.
Esses resultados correspondem às perdas por influência do ‘‘El Ni¤o’’, desde outubro do ano passado, com chuvas em excesso seguindo-se a estiagem de janeiro, e, agora, com a volta das chuvas. O maior volume de perdas concentra-se nas lavouras de soja, com redução de 300 mil t. Com isso, a quebra na produção é de 4% (R$ 65 milhões).
O Deral aponta perda de 15% no algodão: chuvas na colheita. Já foram perdidas 34,5 mil t (R$ 15 milhões). Até agora, 72% da área plantada foi colhida, e o restante ainda está sofrendo o impacto das chuvas. A Conab calcula que as perdas possam atingir 20% da safra.
O feijão das águas, que apresentou quebra de 13% na produção, com perdas de 57 mil t, foi prejudicado pelas chuvas de outubro e novembro do ano passado. As lavouras foram atingidas em todas as fases, desde o plantio até a colheita. Os prejuízos acumulados com a perda de feijão preto e de cor acumularam R$ 35,1 milhões. Já as chuvas recentes estão afetando o feijão da segunda safra (das secas), onde a maior parte do plantio se concentra na região de Ponta Grossa e Central. A previsão inicial de 103 mil t, foi rebaixada para 98,9 mil t, com uma quebra de 3,7%. Os prejuízos apurados até agora somam R$ 3 milhões.
Safra cresceu Apesar do El Ni¤o, produção de grãos no Paraná é maior. A safra de verão deverá atingir 15.433.590 t de grãos e algodão (1,5% sobre 97). A colheita das principais culturas, como soja e milho, está no fim e não deverá ocorrer muita alteração daqui para a frente. A exceção são as culturas de algodão e de feijão das secas, cujas perdas podem aumentar com o retorno das chuvas, salientou a agrônoma Vera Zardo, da Seab.
O Paraná deverá colher uma safra recorde de de 7,05 milhões de t de soja. Essa safra é 7,6% maior do que a colhida no ano passado e é recorde pela quarta vez consecutiva, destacou Zardo. A soja foi prejudicada pela estiagem ocorrida no início do ano e, recentemente, pelas chuvas na colheita. A estimativa inicial previa uma colheita de 7,35 milhões de t.

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