As chuvas dos meses de agosto, setembro e início de outubro provocaram quebras acentuadas nas culturas de inverno e prejudicaram o plantio de feijão e milho, da safra de verão 98/99. Os prejuízos somam R$ 162,6 milhões. As culturas mais prejudicadas são o trigo, feijão das águas e milho.
Essas informações constam do último levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Para minimizar o impacto dos prejuízos, a Seab, Ocepar e Faep estão encaminhando um documento ao Ministério da Agricultura reivindicando a prorrogação das dívidas de custeio do trigo e a cobertura do Proagro para as lavouras perdidas.
Só com o trigo o prejuízo atinge quase R$ 100 milhões, sendo R$ 60,6 milhões com a perda de 386.025 toneladas e mais R$ 36 milhões, referente à redução na qualidade do grão. A redução na produção de trigo corresponde a 18,6% da estimativa inicial. A previsão atual aponta para uma colheita de 1,49 milhão de toneladas e a produtividade inicialmente estimada em 2.061 kg/ha caiu para 1.723 kg/ha.
Segundo Vera Zardo, técnica do Deral, mais de 50% da produção colhida foi prejudicada e reclassificada para os tipos 2 e 3 e a classificação rebaixada para intermediária e comum, fatores que induziram à baixa de preço. Além disso, boa parte da produção está sendo classificada como triguilho, cujo valor de comercialização é baixíssimo e não cobre nem a metade dos custos de produção.
Com o feijão das águas, os prejuízos atingem R$ 32,3 milhões (quebra de 39.564 toneladas), que correspondem a 8% na produção estimada inicialmente que era de 497.157 t. Zardo ressaltou que essas perdas referem-se aos 60% de área plantada. Tem ainda 40% da área que não foi plantada e que pode produzir bem daqui para frente se as condições de clima se normalizarem. A técnica arrisca que a produção na área que falta plantar pode até superar as expectativas e compensar as perdas registradas até agora.
O milho perde 180.502 t em relação à previsão inicial que apontava uma produção de 5,73 milhões de t. O prejuízo na cultura soma R$ 21 milhões. Como no caso do feijão, essa quebra de produção refere-se apenas à área plantada que atinge 36%. Como ainda falta plantar mais de 60% da área, a Seab acredita que ainda há tempo para uma boa produção para compensar as perdas registradas até agora.
A produção de cevada será reduzida em 26,9%, com a perda de 33.375 toneladas, uma prejuízo que soma R$ 5,3 milhões. O triticale também tem perdas acentuadas com a quebra de 17,3% na produção e redução de 24.756 t. O prejuízo é de R$ 3,2 milhões. A aveia preta teve quebra de 27,4% e aveia branca, de 16,6%. Os prejuízos nessas duas culturas somam quase R$ 4 milhões.

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