Chuvas contêm preços dos alimentos
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Adriana Fernandes Agência Estado 
Depois do repique de alta da inflação nos meses de julho e agosto, as chuvas que ganharam força agora em setembro em todo o País estão colaborando para a redução mais rápida dos preços dos produtos agrícolas. Foram esses produtos que pressionaram fortemente os índices de inflação nos dois últimos meses.
Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fernando Montero, o efeito positivo do regime de chuvas, que começou mais cedo esse ano, já pode ser sentido e a expectativa agora é de deflação nos preços dos alimentos. O regime de chuvas está muito bom em todo o País, afirma Montero. Vamos ter deflação e já estamos tendo deflação de todos os produtos com ciclo de produção mais curto, avalia ele.
Carne O impacto positivo pode ser mais rapidamente percebido no preço da carne. Com a chuva, o pasto, queimado pela seca, volta aos campos proporcionando a recuperação do gado e consequentemente dos preços. Os preços nem esperam a recuperação do gado, diz Montero.
O pecuarista que tem animais confinados acaba liberando o produto porque sabe que os pastos estão voltando e os preços vão cair, ressalta ele. Segundo Montero, as fortes altas dos preços dos alimentos verificadas em julho e agosto já mostram sinais de arrefecimento com o fim do período da entressafra.
A seca antecipou a entressafra só que o regime de chuvas está antecipando o fim da entressafra, observa o secretário-adjunto. Com a antecipação do final da entressafra pelas chuvas, todo o calendário agrícola está se deslocando para frente.
O curto ciclo de produção de muitos produtos, como hortifrutigranjeiros, feijão e frango, ajuda na redução dos preços. A alta de hoje gera a baixa de amanhã, porque esses produtos têm uma resposta a oferta muito rápida, explica Montero. Além disso, começa a ser normalizada a oferta de produtos que podem ser importados, como milho e trigo. Em pouco tempo o produto vem de fora e o preço volta a paridade.
O único grupo de produtos que não se espera queda este ano é o sucroalcooleiro, porque o Brasil é um dos maiores produtores do produto e a quebra da safra no País acabou afetando o preço internacional.
Para o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, o repique dos preços dos alimentos ocorrido em julho e agosto é uma reprodução do que aconteceu do terceiro trimestre e início do quarto trimestre do ano passado. Agora aconteceu no meio do terceiro trimestre com intensidade menor nos IPAs e equivalente nos IPCs, avalia Amadeo.
O problema este ano é que essa alta dos alimentos veio junto com o impacto do aumento das tarifas públicas e dos combustíveis. No ano passado, o reajuste das tarifas aconteceu no meio do ano, e a entressafra depois, o que diluiu um pouco o impacto, diz Amadeo. Agora, foi tudo junto: petróleo, alimentos e tarifas, ressalta ele.
Sinais de queda Para o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, as primeiras prévias dos indíces de inflação estão confirmando os sinais de queda dos preços este mês, apontados pelo Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, divulgado pelo Secretaria de Política Econômica, em agosto.
Os índices estão vindo rigorosamente dentro do que se esperava num diagnóstico de que a alta de inflação de julho e agosto era um repique transitório, que seria revertido em setembro e outubro, afirma Amadeo, ressaltando que na área de inflação o governo está tranquilo e que não há sinais de inflação de demanda na economia brasileira.
Amadeo destaca ainda que é normal a ocorrência de choques de oferta e que o importante é ter uma situação macroeconômica de controle da demanda e dos indicadores, que são menos voláteis: choques de oferta acontecem em qualquer lugar do mundo.


