Chuvas comprometem qualidade do café
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de junho de 1997
Guto Rocha Londrina 
Josoé de CarvalhoNo chãoBenedito da Cruz: Chuvas derrubaram 50% do café que estava no pé As chuvas têm prejudicado a colheita de café e provocado a perda de qualidade do produto. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, o Paraná já colheu 42% dos 134 mil hectares de café que estão produzindo. A estimativa do Deral é de que nesta safra, o Estado colha 1,680 milhão de saca de café arábica beneficiado.
Na região de Londrina, segundo a regional do Deral, que abrange 19 municípios, foram colhidos apenas 10% dos 18,14 mil hectares de café em produção. A chuva paralisou a colheita e a qualidade do café fica comprometida porque o fruto cai no chão, comenta a engenheira agrônoma do Deral, Rosângela Zaparoli Vieira. Mas, conforme Rosângela, ainda não há levamento das perdas.
O corretor de café do Escritório Marrequinho, em Londrina, Márcio Tavares de Menezes, afirma que o produtor pode ter perdas entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por saca de café beneficiado por causa da queda na qualidade provocada pela chuva. Mas se o produtor não souber manejar o café no terreiro com o rastelo, a qualidade pode cair ainda mais, afirma.
Ele explica que o café chuvado fica escurecido e a bebida é prejudicada. Menezes afirma que no ano passado, a seca castigou as lavouras, mas os produtores colheram café com qualidade. Conseguimos vender café do Paraná com a mesma qualidade do café colhido em Minas Gerais, comenta.
O produtor de café, Benedito Moreira da Cruz, diz que mesmo o café que já foi colhido está embolarando no terreiro. A chuva não deixa a gente secar o produto que já foi colhido, comenta. Ele afirma que tem café colhido há mais de 30 dias que está no terreiro esperando o tempo estiar.
Mas o maior problema, segundo Benedito, é o café que ainda está na lavoura. É que com a chuva, o grão maduro acaba caindo no chão, o que compromete a qualidade do produto. Além de prejudicar a qualidade, por ter derrubado o café no chão, as chuvas formam enxurradas que levam os grãos para longe ou enterram, provocando perda total, afirma.
Benedito estima que cerca de 50% do café que estavam no pé foram derrubados pela chuva. Ele cultiva seis alqueires com cafeeiros e esperava colher mil saca de café beneficiado.
O meteorologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Luiz Fernando Nachtigall, diz que o índice de chuvas neste mês de junho é o mais alto dos últimos 38 anos. A média histórica para junho, calculada entre 1938 e 1996, é de 90,4 milímetros (mm), enquanto que do dia 1º até hoje (ontem) choveu 345,2 mm. A previsão para hoje, segundo Nachtigall, é de tempo nublado durante o dia e ocorrência de chuva durante a noite.


