Chuvas chegam em boa hora para o trigo
Com a ampliação do seguro, anunciada pelo governo, é possível que a redução de área fique abaixo do previsto
Vânia Casado

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Bom negócioAmpliação do seguro na colheita pode devolver estímulo aos produtores do ParanáAs chuvas leves de ontem em todo o Paraná vieram ‘‘na hora certa’’ para a cultura do trigo, afirmou o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural. Isso porque o solo estava seco, sendo que há 17 dias não se registravam chuvas em todas as regiões. A atual fase em que se encontra a cultura, de germinação e perfilhamento, exige muita umidade para o desenvolvimento da planta. ‘‘Depois disso não precisa mais’’, explicou o técnico.
Cerca de 45% da área prevista (764.000 ha) já está plantada e as chuvas devem animar os produtores ao plantio. Hubner afirmou que não vai se surpreender se houver um aumento de área plantada, já que os produtores se sentiram mais seguros em investir na lavoura, depois que o ministro da Agricultura anunciou a cobertura do Proagro para chuvas na lavoura.‘‘Esse fator é o que mais preocupa os produtores, onde em ano de ocorrência de chuvas, normalmente se perde 40% da produção nessa época’’, lembrou o técnico.
Para Flávio Turra, técnico da Ocepar, a medida do ministro Francisco Turra, estendendo os benefícios do Proagro para o trigo, trouxe um clima de segurança ao produtor. Ele não acredita em reversão imediata das previsões de recuo no plantio. Mas disse que essa iniciativa certamente vai influenciar no aumento de produtividade da cultura. Isso porque a cobertura do Proagro reduz os riscos de perdas e o produtor se sente estimulado a investir em tecnologia. ‘‘ O aumento da produtividade será evidente no momento da colheita’’, afirmou.
Para Otmar Hubner a redução de 16% no plantio de trigo no Paraná, está vinculada à frustração do produtor com as dificuldades encontradas para comercializar a safra passada, quando ficaram estocadas nas cooperativas 400.000 toneladas. Esse volume foi desovado graças ao Prêmio de Escoamento da Produção - PEP, que permitiu o pagamento do preço mínimo ao produtor.
Segundo a Ocepar, ainda tem cerca de 70.000 toneladas de trigo nas mãos dos produtores, mas eles estão aguardando condições mais favoráveis para comercializar. Turra destacou que o período crítico de concorrência com o produto argentino já passou e as cotações do grão já reagiram para R$ 175,00 a tonelada. Entre os meses de dezembro e fevereiro, época que se concentra a colheita do trigo argentino, cuja comercialização para o Brasil é bem rápida, a comercialização do trigo nacional ficou paralisada, desestimulando os produtores, concluiu.
Quanto ao plantio, outro indicador de que a área pode aumentar em relação à previsão, é o interesse dos técnicos de cooperativas junto ao Iapar. É que este ano a Comissão Centro-Sul Brasileira aprovou várias mudanças que constam da Circular nº 100 do Iapar, com as recomendações para a safra deste ano.

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