Chuvas causam queda de até 40% no PR
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Guto Rocha 
Ainda não existe um levantamento dos prejuízos provocados pelas chuvas que atingiram as lavouras de trigo no Paraná, mas os dados preliminares indicam perdas de no mínimo 40% em algumas regiões do Estado. Segundo a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Vera Zardo, as chuvas impedem inclusive o trabalho dos técnicos da secretaria que fazem o levantamento em nível de campo. Mas já temos conhecimento de que em algumas regiões existem problemas de doenças e de germinação, comentou.
Vera afirmou que até a última sexta-feira, o Paraná havia colhido 25% dos 893 mil hectares cultivados com trigo. Segundo ela, a colheita está mais adiantada nas regiões de Jacarezinho, Maringá e Cornélio Procópio. A técnica disse que as lavouras podem ser divididas em diferentes fases no Estado: 40% em fase de maturação, 40% em frutificação, 15% em floração e 5% em desenvolvimento vegetativo.
A técnica observou que os problemas provocados pela chuva variam conforme a fase em que se encontra a lavoura. Vera afirmou que já foi identificada a ocorrência de doenças fúngicas como ferrugem, oídio e giberela. O problema é que as chuvas impedem inclusive a aplicação de defensivos para o controle das doenças, comentou. Vera observou ainda que a ocorrência de doenças deverá provocar o aumento do custo de produção. Ela disse, no entanto, que ainda é cedo para fazer um cálculo preciso do quanto o custo de produção será aumentado.
O gerente da área técnica da Coopavel, de Cascavel, Rogério Rizzardi, afirmou que na região de atuação da cooperativa, os primeiros levantamentos indicam perda de até 40%. Mas na hora que as máquinas entrarem nas lavouras, as perdas podem ultrapassar este índice, estimou. Rizzardi observou ainda que na região há uma grande incidência de grãos germinados que não têm condições de ser empregados na panificação. Esse trigo será destinado para fabricação de ração animal, comentou.
Na área de atuação da Cooperativa Agrária Entre Rios, em Guarapuava, as lavouras estão em fase de florescimento e espigamento, o que favorece o aparecimento de doenças fúngicas. Segundo o engenheiro agrônomo da Agrária, Josef Pertschy, ainda é cedo para avaliar os prejuízos, mas ele disse que o problema pode se agravar com a dificuldade que os produtores estão encontrando para fazer controle das doenças.


