Chuvas atrasam embarques de soja
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Vânia Casado 
Albari RosaNévoa úmidaNavios esperam momento adequado para atracar, ontem, em ParanaguáAs chuvas estão atrasando os embarques de soja em grão e farelo no Porto de Paranaguá. O período de espera está variando entre 30 e 35 dias para os navios que carregam grão, e de 35 a 40 dias para os navios que carregam farelo. Em consequência da demora dos embarques em Paranaguá, alguns importadores estão indo buscar farelo no porto de Tubarão, no Espírito Santo, informou Fernando Muraro, do setor de exportação da Cotriguaçu.
A justificativa para essa demora é o clima no Paraná, que está muito irregular desde o início da safra. Segundo Muraro, está difícil manter um período de 48 horas ininterruptas de carregamento. Mesmo sem chuvas fortes, as operações estão sendo interrompidas à noite, devido a uma névoa úmida que inviabiliza os carregamentos. Isso porque não pode entrar umidade nos navios, que poderia comprometer toda a qualidade da carga, explicou.
Além de prejudicar as operações de carregamento em Paranaguá, as chuvas estão atrapalhando também a colheita. Segundo Muraro, já foi colhida entre 30% e 35% da área plantada no Paraná. Ele acredita que nos próximos dias, se houver uma estiagem no campo, a colheita será acelerada para recuperar o tempo perdido.
A Superintendência dos Portos de Paranaguá e Antonina confirma a morosidade nos embarques. Até ontem, havia 18 navios esperando para embarcar 840.000 toneladas de soja e 17 navios para embarcar 600.000 toneladas de farelo. Outros quatro navios de carga mista, com capacidade para embarcar 160.000 toneladas de grão e farelo, estavam na fila de espera.
Além das chuvas, a movimentação de grãos e farelo no porto de Paranaguá confirma a morosidade da comercialização este ano. Até ontem, haviam sido embarcadas 401.680 toneladas de grãos e 587.277 toneladas de farelo. No ano passado, no mesmo período, haviam sido embarcadas 553.948 toneladas de grãos e 806.410 toneladas de farelo, informou a assessoria do porto.
Segundo a agência marítima Transcar, de Paranaguá, além dos navios que esperam ao largo, há mais três que devem chegar até o dia 2 de abril. O assistente da empresa, Edilson Gonçalves, informou que, além do paralisação provocada pelas chuvas, há dificuldades operacionais no porto - apenas um berço está em operação para carregamento de grão. Segundo Gonçalves, está sendo cogitada a possibilidade de abrir mais um berço para o carregamento do grão, para escoar rapidamente a mercadoria que está chegando ao porto. A manutenção diária de um navio varia entre US$ 15.000 e US$ 17.000, segundo a Transcar.


