As chuvas estão beneficiando o plantio da safra de verão 2001/02. O plantio de feijão foi retomado e cerca de 28% da área já foi ocupada. A semeadura de milho está no início, com 5% da área plantada. Mas a movimentação mais expressiva está sendo esperada para os próximos dois meses. Em setembro, intensifica-se o plantio do milho e, em outubro, começa a soja que este ano deve ocupar área recorde no Paraná, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

A área plantada com soja cresce 8,26%, devendo passar de 2,78 milhões de ha no ano passado para 3 milhões, a maior área com soja na história do Estado. A produção esperada, de 8,77 milhões de t, poderá atingir até 9,12 milhões de t se repetir a produtividade de 2000/01.

De acordo com a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo, os produtores mais tecnificados optaram pela soja para aproveitar a desvalorização cambial. Além disso, o produto tem liquidez no mercado externo. A cotação da soja, neste segundo semestre, em Ponta Grossa alcançou preço máximo de R$ 29 a saca.

Quem teve produtividade de 50 sc/ha e comercializou a soja nesse preço, teve uma rentabilidade de 225%, calculou a técnica, que usou como parâmetro o custo variavel de R$ 8,92/saca.

O Norte e Oeste do Paraná têm utilizado variedades precoces para que sejam colhidas entre fevereiro e março. Em seguida, plantam o milho safrinha. Aliás, nessas áreas estão sendo verificadas as maiores reduções no plantio de milho na primeira safra. ''Isso porque, os produtores plantam primeiro a soja e depois o milho safrinha'', disse Zardo.

A área plantada com milho cai 17% este ano. O plantio que ocupou 1,85 milhão de ha na safra passada, passa para 1,55 milhão de ha. A previsão de redução maior na safra de milho foi feita com base na redução da produtividade, que também deverá cair de 5 mil quilos para 4,6 mil kg/ha. Isso porque a tendência de redução de área deverá se confirmar mais em regiões de produção tecnificada.

''O plantio de milho vai ocorrer nas áreas onde os produtores aplicam menos tecnologia'', explicou a técnica. A rentabilidade do milho não está sendo atrativa para os produtores mais tecnificados. No período de comercialização, a cotação média foi de R$ 7 a saca. Quem deixou para vender o milho no período de entressafra está com remuneração melhor. A rentabilidade chegou a 63%, para quem vendeu o milho em torno de R$ 11,80 a saca, em Ponta Grossa. O cálculo levou em consideração o custo de produção do milho, de R$ 7,35/saca para uma produtividade de 6 mil kg/ha.

A safra de feijão foi reavaliada. A área deverá crescer 18%. O plantio foi retomado com as chuvas e deverão ser plantados 380,8 mil t este ano. A produção deverá crescer 21%, passando de 342 mil t para 414 mil t. Os produtores estão animados com o preço. O feijão preto está cotado a R$ 81 a saca e o feijão de cor a R$ 57 a saca, preços considerados atrativos, para quem investiu R$ 30 a saca no plantio do feijão das águas.


Já a área de algodão terá uma redução de 13% e fica com 57,85 mil ha. Os produtores estão desestimulados com a rentabilidade negativa do algodão, com preço entre R$ 8 e R$ 8,50/arroba, enquanto o custo de produção foi de R$ 8,85.

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