A estiagem que prejudica os produtores paranaenses começa a dar uma trégua. Desde o início do mês, chuvas esporádicas têm amenizado o problema e o volume de precipitações dos últimos dias trouxe fôlego às lavouras do Estado, principalmente na região Norte. O sojicultor João Francisco, de Londrina, viu o solo, que em dezembro estava marcado pela seca, se recuperar e agora almeja rentabilidade com a produção da próxima safra.
Na propriedade de 290 hectares, o solo estava visivelmente rachado e o prejuízo na produção era certo. ''O problema estava crítico em dezembro, mas agora com as chuvas de janeiro a situação melhorou muito'', avalia. Segundo ele, as chuvas dos dois últimos dias recuperaram consideravelmente a situação da lavoura. ''Com a seca, estava contando com o prejuízo, mas agora acho que vamos conseguir pagar as contas e ainda sobrar'', comenta.
Segundo a agrometeorologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Heverly Morais, a previsão é de chuvas em maior volume para o final de semana, consequência do avanço de uma frente fria pelo Estado. No entanto, seguindo as características do fenômeno meteorológico La NiÀa, as chuvas irão ocorrer de forma irregular e abaixo da média. Para Londrina, a previsão é de que os próximos dias somem um volume de aproximadamente 70 mm, enquanto para a região Oeste, o volume esperado é menor, com cerca de 30 mm em Cascavel.
Até a manhã de ontem, Londrina havia registrado 78 mm em janeiro, enquanto a média esperada para o mês é de 216 mm. ''Se a situação das chuvas se normalizar nos próximos dias, será possível suprir o deficit hídrico da região de Londrina, que é de 60 mm'', revela. Heverly explica que, com isso, a sequência de prejuízo nas lavouras poderá ser interrompida.
A engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Margorete Demarchi, alega que as chuvas dos últimos dias serviram para amenizar o problema, ''mas há perdas irreversíveis no Estado, principalmente no Oeste e Sudoeste, onde as perdas são mais significativas''. A estimativa do Deral é de que os prejuízos totalizem 2,55 milhões de toneladas, o equivalente a 11,5% da produção de grãos de verão, o que representa R$ 1,52 bilhão.
Devido à estiagem, a produção deve cair de 22,13 milhões de toneladas para 19,6 milhões nesta safra. Margorete lembra que isso é resultado de perdas de 10% na soja, 14% no milho e 19% no feijão. ''É um alento saber que pode haver mais chuvas em breve, isso pode interromper o ciclo de perdas e minimizar os prejuízos'', avalia.
A agrônoma do Deral demonstra preocupação com o plantio do milho segunda safra, que pode ser prejudicado pela seca. ''A colheita da soja já teve início e é preciso ter condições favoráveis de clima e umidade para plantar o milho'', alerta. A previsão é de aumento de 10% na área plantada com milho safrinha no Paraná. ''Essa produção é esperada até para compensar o prejuízo do milho de verão'', afirma.

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