Chuvas ajudam lavouras mas favorecem ferrugem
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O clima chuvoso beneficia as lavouras de soja que estão em desenvolvimento vegetativo. Mas também favorece o aparecimento de doenças fúngicas, sendo a mais temida a ferrugem da soja. Por isso o produtor não pode descuidar, alertou o engenheiro agrônomo Enoir Cristiano Pellizzaro, da cooperativa C.Vale, de Palotina.
A cooperativa intensificou o monitoramento das lavouras de seus cooperados, desde que a Embrapa Soja divulgou que já são 128 os municípios brasileiros com lavouras atingidas pela doença, sendo 71 no Paraná.
Na avaliação de Pellizzaro, a contaminação das lavouras vem ocorrendo de forma mais rápida este ano porque muitos produtores não fizeram a aplicação de fungicidas em função dos baixos preços da soja.
Ele acredita que mesmo as aplicações tardias do produto podem reverter a situação. O técnico alerta que o agricultor terá um custo menor com a compra de fungicidas, diante da possibilidade de redução da produtividade da lavoura que pode ser provocada pela doença.
De acordo com Pellizzaro, no ano passado, a ferrugem da soja provocou perdas acima de 50% na produtividade das lavouras nos estados da Bahia e do Mato Grosso.
O técnico lembra que não se pode brincar com a ferrugem da soja e que os produtores não podem retardar a aplicação de fungicidas, ''mesmo que o produto tenha que ser aplicado duas vezes'', avisou.
O aparecimento de focos da doença ainda não refletiu no mercado, informou a analista da agência Safras e Mercados, Odinéia Santos.
Ela acredita que o fato pode gerar alguma turbulência para frente se o mercado descobrir que a ferrugem vai elevar mais ainda os custos de produção da soja e que pode ocorrer um freio na expansão da área plantada.
De acordo com a técnica, a reportagem publicada ontem pelo jornal norte-americano ''New York Times'' não influenciou o mercado. A reportagem afirmou que o crescimento da produção de soja no Brasil está perdendo o fôlego e que os produtores brasileiros devem enfrentar momentos mais difíceis também em função do aparecimento da ferrugem da soja.
Antes de encerrar o pregão, a Bolsa de Chicago estava operando com até 1% de alta, o que foi considerado normal pelo analista Daniel Xavier, da corretora Correpar, de Curitiba.
Para ele, tanto as notícias do aparecimento da ferrugem da soja no Brasil como rumores de que a China estaria aumentando a demanda pela commoditie, estão começando a pressionar o mercado.


