Curitiba - As chuvas que estão caindo sobre o litoral do Paraná obrigaram a superintendência do Porto de Paranaguá a suspender os embarques de milho e soja, que se intensificaram na última semana. Com isso, a fila de caminhões que se formou ontem se estendia por 20 quilômetros ao longo da BR-277. Impedidos de atracar, 33 navios estão esperando no Canal da Galheta a liberação para embarcar os produtos.
O estrangulamento do porto começou na tarde de domingo. Para agravar, produtores de soja e milho, aproveitando os bons preços dos produtos, autorizaram ordem de venda de seus estoques da safra passada para desocupar os armazéns e prepará-los para a chegada da nova safra, informou o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robsom Mafioletti.
A aceleração das vendas de soja e milho encontrou o porto semi-paralisado em função da ''parada técnica'' que tradicionalmente ocorre no mês de janeiro. De acordo com a assessoria da Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA), normalmente os berços dos corredores de exportação entram em fase de manutenção nessa época do ano.
Mas a assessoria não descarta que ''esta situação pode ser uma amostra do que será o escoamento da safra deste ano, cuja colheita estão revelando números recordes na produção de soja e milho''. Além disso, o porto paranaense entrou na preferência dos exportadores desde quando conseguiu reduzir a zero no ano passado as ações na Justiça internacional com reclamações sobre a qualidade dos produtos exportados. Em 2002, foram 1,2 mil ações judiciais internacionais e no ano passado nenhuma ação foi ajuizada em foro internacional.
Desde o início do ano até ontem se dirigiram ao Porto de Paranaguá 10.570 caminhões carregados com milho e soja, três vezes mais que no mesmo mês do ano passado quando foram para o porto 3.588 caminhões.
Só com milho, já foram para o porto 6.509 caminhões este ano, seis vezes mais que o ano passado quando se dirigiram 1.047 caminhões no mesmo período. Os caminhões carregados com soja já somam 1.775 veículos este ano, contra apenas 107 no mesmo período do ano passado. O pátio de triagem já está com a ocupação de 1,2 mil veículos lotada.
Dos seis berços do Corredor de Exportação, apenas três estavam em operação sendo que os demais estão em manutenção. Essa semana entra em funcionamento o quarto berço que deverá contribuir com a agilização dos trabalhos. Se a chuva parar, os dirigentes do porto acreditam que em 24 horas normalizam o escoamento.

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