As chuvas que atingem o Paraná desde o início da semana estão provocando perdas em diversas culturas desenvolvidas no Estado. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura ainda não contabilizou os prejuízos, que em muitos caso são irreversíveis. ‘‘Ainda é difícil quantificar as perdas, mas elas aconteceram em várias regiões do Estado’’, disse ontem o diretor do Deral, Norberto Ortigara. As lavouras de milho e soja sofreram danos isolados, que não devem comprometer a produção do Estado, garantiu Ortigara.
Ele afirmou que além do feijão no Sul do Estado, que deve sofrer com a perda de qualidade, as chuvas prejudicaram plantações de fumo na região de Irati, Ponta Grossa, Guarapuava e na região metropolitana de Curitiba. ‘‘As chuvas comprometem a qualidade das folhas do fumo, diminuindo o rendimento dos produtores’’, diz.
O diretor do Deral diz ainda que na região de Colombo, os plantadores de pimentão também tiveram prejuízos provocados pelo aparecimento de doenças. Outro produto que sofreu grandes perdas foi o tomate. ‘‘Não deve haver problema com abastecimento, mas a qualidade foi bastante comprometida’’, comenta Ortigara.
Segundo o produtor de tomate de Marilândia do Sul, Walmir Peres, as chuvas já lhe deram um prejuízo de R$ 25 mil. Peres afirmou que teve de arrancar 35 mil pés de tomates que foram atacados por uma doença conhecida com ‘‘murchadeira’’, provocada pelo excesso de umidade. ‘‘Os pés arrancados estavam em fase de frutificação’’, observou.

Produtor de tomate
teve prejuízo de
R$ 25 mil no
Norte do Paraná


Os produtores de uva de mesa da região que vai de Apucarana até Cornélio Procópio também estão enfrentando problemas com a chuva. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater-PR de Andirá (região do Maringá), Celso Daniel Seratto, o excesso de chuva faz com que os bagos de uva rachem, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas. Com isso, o preço da fruta caiu de R$ 1,40/kg para R$ 0,80/kg. ‘‘O prejuízo só não foi maior porque a maioria da safra já foi colhida’’, diz.
O excesso de chuva também prejudica o escoamento da produção, uma vez que muitas estradas rurais foram danificadas. Segundo o diretor comercial da Big Frango, de Rolândia, Ademar Rissi, o abatedouro teve dificuldades para receber aves nos últimos dias. ‘‘Não temos nem idéia do prejuízo, mas nos últimos quatro dias não foi nada fácil’’, comentou.
Rissi afirma que a indústria deixou de receber entre dois e três caminhões de frangos por dia. ‘‘Mas não deixamos de abater porque fizemos uma reprogramação no cronograma de recebimento’’, afirmou. Ele observou que o atraso no carregamento implica no maior consumo de ração de aves já terminadas, e depois de 40 dias de idade, o frango fica mais suscetível à morte.

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