Chuva prejudica qualidade do milho
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O excesso de chuva das últimas semanas atrasou a colheita do milho e está atrapalhando o plantio da safrinha. A última estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) indica que, no início da semana passada, 16% da área paranaense havia sido colhida.
Apesar do índice ser semelhante ao de safras anteriores, a expectativa, neste ano, era de colheita adiantada. ''O produtor plantou mais cedo para aproveitar os bons preços antes do pico da safra, quando o aumento da oferta reduz a cotação'', analisou Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral.
Na região de Apucarana, que concentra empresas processadoras de milho para consumo humano, o excesso de umidade atrasou a colheita e trouxe um agravante: o aparecimento de milho ''ardido'' (fermentado) em alguns lotes entregues nas moageiras.
Paulo Sérgio Franzini, economista do Deral, revelou que existem cargas sendo entregues com 5% de grãos ardidos, sendo que a tolerância de recebimento das empresas é de no máximo 6%. Informou, ainda, que apenas 20% dos 40,8 mil hectares plantados foram colhidos até agora, enquanto a previsão era atingir 40% no período. ''As máquinas não conseguem entrar no campo'', disse.
Na Kowalski Alimentos, que industrializa milho, 4% das amostras entregues apresentaram volume de grãos ardidos superior a 6%. Ano passado, o índice não ultrapassou 2%. Jesuel Sorzi, comprador da empresa, comentou que alguns lotes foram recusados porque o excesso de fermentação pode gerar flatoxina e bolor, que são nocivos à saúde humana.
Outra empresa que enfrenta o problema no município é a Caramuru. O engenheiro agrônomo André Ricardo Favaretto comentou que as cargas entregues apresentam 5,5% de grãos fermentados, volume 2% superior à média do ano passado. A conjuntura, porém, não está preocupando a indústria. ''No final de semana fez bastante sol. Até quinta-feira a situação deve se regularizar''.
Em fevereiro, as chuvas na região já atingiram 286 milímetros (mm), ante a média de 180 mm em anos anteriores. ''Noventa por cento das lavouras estão em final de ciclo. Se o tempo ajudar, o pico da colheita será na primeira quinzena de março'', acrescentou Franzini. A preocupação dos produtores é evitar que o período de pico coincida com a colheita de soja, o que causaria falta de máquinas para dar conta das duas culturas.
O economista do Deral também avaliou que ainda não existe risco de quebra. ''A produtividade está muito boa, em torno de 6,6 toneladas por hectares'', disse Franzini, lembrando que a estimativa do órgão é que a região de Apucarana colha 275 mil toneladas nesta safra.


