Chuva prejudica floração da soja
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terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A chuva pesada e contínua que caiu sobre a região de Londrina nos últimos dias está prejudicando as lavouras de soja em fase de floração. Semeadas tardiamente, essas áreas correm risco de enfrentar queda de produtividade. ''As flores caem e não polinizam'', explicou o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Barreto, do departamento de fiscalização da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) no município.
As regiões mais críticas são Tamarana, Mauá da Serra e distritos da zona sul da cidade. ''Mas ainda é cedo para contabilizar o prejuízo'', afirmou o técnico, acrescentando que a maioria das lavouras está em fase de enchimento de grãos e não corre riscos.
Com uma área de soja no distrito de Paiquerê, o produtor Adão de Pauli enfrenta problemas por causa da chuva. ''Ainda não consegui entrar na lavoura para verificar o estrago, mas com certeza caíram muitas flores'', disse.
Ele também não conseguiu observar se há necessidade de combater pragas como lagarta e percevejo. ''Quando acabar a chuva, vou 'correr' a lavoura com um agrônomo para decidir o que fazer'', contou, lembrando que é necessário haver alguns dias de sol para iniciar o combate às pragas.
Com áreas de soja em fase de desenvolvimento vegetativo, o produtor João Brasão, de Cambé, teme prejuízos caso a chuva continue até o final da semana. ''O excesso de umidade favorece o desenvolvimento de fungos e outras doenças'', comentou. Outro problema, segundo ele, seria o controle do percevejo. ''Se houver ataque, com esse tempo vai ser difícil eliminar.''
Do dia 1º de janeiro até ontem, havia chovido 262,8 milímetros (mm) em Londrina. O índice supera a média histórica do período, que é de 216,3 mm. De acordo com o técnico em meteorologia Edmirson Borrozzino, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o excesso de chuva foi verificado apenas nos últimos cinco dias. ''Até o dia 22 de janeiro, tinha chovido 58,8 milímetros'', informou. No ano passado, na mesma época, as precipitações alcançaram 272,4 mm.
Outras regiões - Na região de Maringá, a chuva leve e contínua dos últimos três dias está favorecendo a granação da soja. A afirmação é do engenheiro agrônomo Antônio Sacoman, coordenador técnico da área de grãos e arenito da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar). ''O tempo está favorável, porque nessa época a planta precisa de muita água'', esclareceu.
Situação semelhante se verifica em Cascavel, onde choveu 60 mm anteontem, superando a média histórica para o período. ''Hoje (ontem) o tempo já abriu. Se ficássemos três a quatro dias sem sol, com certeza teríamos lavouras prejudicadas'', considerou o engenheiro agrônomo Jorge Luiz Knebel, da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel).


