Vânia Casado
As chuvas que caíram sobre o Paraná, no último final de semana, estão preocupando os produtores. A colheita do café no Paraná está paralisada desde sexta-feira e a umidade está intensificando o ataque de doenças fúngicas nas lavouras de trigo, principalmente na região Oeste. O milho safrinha não sofreu tanto com o excesso de chuvas, mas começam a preocupar as previsões de queda de temperatura, já que 85% das lavouras dependem do bom andamento do clima para atingir os índices de produção e produtividade projetados para essa safra.
Hoje deve chover ainda nas regiões Noroeste e Litoral do Estado. Nas regiões Sul e Centro Sul, há previsão de geadas. As temperaturas mínimas devem baixar a 3ºC em Irati e 4ºC em Guarapuava. Em Londrina e Maringá, a mínima deve atingir 8ºC, informou o Simepar - Sistema Meteorológico do Paraná.
Na região cafeeira, a situação mais drástica é no Noroeste, que colhe mais cedo e os produtores não estão conseguindo secar os grãos. A região é responsável pelo plantio de 30.700 hectares de café, que correspondem a 23% da área produtiva no Estado. Desse total, pelo menos 10% da área ainda está em frutificação. Dessa vez a situação está preocupante porque está acumulando grãos no terreiro, disse o técnico Paulo Franzini, do núcleo regional da Secretaria da Agricultura de Apucarana. A preocupação não é tanto com a quantidade de chuvas, mas com o número de dias chuvosos que impedem a retomada da colheita e o manejo com os grãos, observou.
Os produtores mais prejudicados são aqueles que não fazem a colheita no pano e costumam misturar os grãos, sem a preocupação com a qualidade. A situação é mais preocupante com a colheita e pós-colheita, alertou Franzini. Segundo ele, a partir de agora, as lavouras de café entram no período considerado crítico com a intensificação da colheita. Ele recomenda aos produtores entrar, assim que possível, nas lavouras e fazer uma varredura dos grãos caídos no chão para evitar que fiquem em contato com o solo e comecem a fermentar. Franzini lembra que esses grãos devem ser separados.
Nas lavouras de trigo, a umidade excessiva está favorecendo o aparecimento de doenças fúngicas, disse o assessor da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Ele disse que na região Oeste já começou a infestar doenças como Oídio e Mancha Foliar e que não estão sendo combatidas porque o produtor não consegue entrar nas lavouras para fazer o controle.

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