Para alívio dos agricultores paranaenses, o excesso de chuva ocorrido na primeira quinzena de julho não chegou a comprometer da forma como era esperada a qualidade do milho que está sendo colhido nesta segunda safra. Até o momento, 66% de uma área plantada de 1,92 milhão de hectares foi colhida. Do total dos grãos já recolhidos, 93% possuem qualidade boa, 6% média e apenas 1% é avaliado como ruim.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a estimativa de colheita é recorde para o período, chegando a 11,01 milhões de toneladas, 6% a mais em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram recolhidas no Paraná 10,36 milhões de toneladas.
Edmar Gervásio, técnico do Deral, comemora o fato da queda na qualidade dos grãos por causa das chuvas ter sido muito pequena. "Esses últimos quinze dias de clima bom também têm contribuído", assinala o especialista. Segundo ele, as perdas ocorreram apenas em alguns pontos de plantio. "Recebemos relatos de campo dizendo que os grãos estão muito bons", salienta o especialista.
O susto já passou, afirma Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Segundo ele, depois de 20 dias de chuvas ininterruptas em algumas regiões, esperava-se que 70% do milho recolhido tivesse uma qualidade ruim devido ao excesso de umidade. Hoje, as cooperativas paranaenses são responsáveis pelo recebimento de 70% dos grãos produzidos no Estado.
Matias Knoor, produtor na região de Rolândia (Norte), está satisfeito com a qualidade dos 40% de área já colhida, de um total semeado de 336 hectares. "Só em alguns pontos específicos que observei uma queda de qualidade", destaca o agricultor. Neste ciclo, Knoor espera colher 104,16 sacas por hectare, índice semelhante ao contabilizado na safra 2013/14.

Mercado

Mesmo com a boa qualidade da produção, o sucesso da segunda safra 2014/15 não está totalmente definido. Mafioletti explica que junto com a safra local recorde, os maiores produtores de milho do mundo também terão bons índices de produção, o que poderá afetar os preços das commodity. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que os norte-americanos deverão produzir uma safra recorde de 348 milhões de toneladas de milho, 4% a mais em relação à temporada anterior.
No mundo, a produção de milho deve chegar a 985 milhões de toneladas. A China deve produzir 225 milhões de toneladas e o Brasil 84 milhões de toneladas. "Esse excesso de oferta irá derrubar os preços", analise Mafioletti. De acordo com números do Deral, na semana passada, a média de preços pago ao produtor de milho foi de R$ 20,80 a saca, contra R$ 21,15/sc registrado na semana anterior.
O produtor Matias Knoor afirma que os preços ainda seguem positivos, mas salienta que os custos de produção subiram muito nesta safra. O custo variável, por exemplo, que engloba despesas com insumos, maquinários, transporte, entre outros, fechou maio em R$ 19,30/sc, ante R$ 17,63/sc contabilizado no mesmo período do ano passado. O percentual de comercialização da safra paranaense já chega a 25%, índice semelhante ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

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