Chuva e seca impedirão safra recorde
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - O excesso de chuvas no Centro-Oeste e a seca no Sul do País provocaram quebra na colheita de grãos deste ano, frustrando a expectativa do governo e de produtores de colher nova safra recorde. Segundo levantamento divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), feito com 80% da área já colhida, a produção da safra 2003/04 deve ficar em 120 milhões de toneladas, abaixo das 123,1 milhões de toneladas do ano-agrícola anterior.
Em relação à última estimativa da Conab, de 130,8 milhões de toneladas, divulgada em fevereiro, haverá redução de 8,2%, com quebra de produção de 10,7 milhões de toneladas. O levantamento aponta que a maior perda ocorreu no Sul do País: 7,5 milhões de toneladas, sendo 5,5 milhões de toneladas de soja.
O Rio Grande do Sul, castigado pela maior seca dos últimos 13 anos, foi o Estado mais prejudicado, com quebra de 4,1 milhões de toneladas de soja e 900 mil toneladas de milho. O extremo oeste de Santa Catarina, o sul do Mato Grosso do Sul e o noroeste do Paraná também foram duramente afetadas pela seca. No Centro-Oeste, a quebra foi de 3,4 milhões de toneladas. Desse total, 2,1 milhões de toneladas de soja.
A menor produção de grãos na safra 2003/04, no entanto, não deverá reduzir a renda dos produtores, pelo menos no caso da soja, avaliou o presidente da Conab, Luís Carlos Guedes Pinto. ''Os preços da soja já estavam bons e melhoraram ainda mais. A expectativa é de exportações no mesmo nível ou superiores às do ano passado por conta dos estoques de passagem. Com isso, a renda do produtor pode ser igual ou superior a de 2003'', afirmou. O estoque é estimado em 3,9 milhões de toneladas.
A Conab reduziu em 7,4 milhões de toneladas a estimativa de produção de soja, para 50,1 milhões de toneladas. Em relação ao ano anterior, quando foram colhidas 52 milhões de toneladas, a queda será de 3,6%.
O secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, minimizou o impacto da quebra da safra nos índices de inflação. ''Um impacto inflacionário vai depender da evolução dos preços internacionais nas próximas semanas'', disse ele. Em duas semanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vai divulgar seu relatório de intenção de plantio de grãos na safra 2004/05 e deve indicar aumento da área plantada com soja, segundo Wedekin. ''Esse aumento vai refletir nos preços. A tendência, como o mercado futuro indica, é de queda nos preços da soja.''
De acordo com o secretário, o governo já estuda medidas de apoio aos agricultores prejudicados pela quebra de produção. A idéia é renegociar dívidas e liberar recursos para plantio da safra de inverno e, posteriormente, para a produção de verão. ''As medidas serão tomadas caso a caso e não por meio de políticas gerais'', ressaltou.


