Chuva de granizo destrói parreirais em Marialva
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Marialva Pequenos produtores de uva de Marialva (17 km de Maringá) perderam 100% da safra de verão por causa de duas chuvas de granizo ocorridas no início desta semana. O município é o maior produtor de uva fina do Paraná. Os parreirais atingidos não tem tela de proteção porque os pequenos fruticultores não têm dinheiro ou não conseguem acesso às linhas de crédito. Pelo menos 30% dos 750 produtores do município se enquadram na categoria de pequenos e não dispõem de telas do tipo sombrite.
Segundo a Cooperativa dos Fruticultores de Marialva (Cofrumar), cerca de 250 pequenos produtores perderam toda a safra, o equivalente a mil toneladas de uvas. O presidente da cooperativa, Valdir Monarin, disse que no dia 21 foram duas chuvas de granizo, com pedras do tamanho de bolas de ping-pong. ''Os parreirais com sombrite quase não foram afetados'', afirmou Monarim.
Para livrar os pequenos produtores do granizo, comum nesta época do ano, seria necessário a abertura de financiamentos subsidiados, como as linhas do Paraná 12 meses. ''Por meio deste programa, muitos produtores conseguiram telar os parreiras, mas ainda temos 30% desassistidos'', disse Monarin. A cooperativa concluiu ontem um relatório dos estragos para ser levado ao governo do Estado.
O pequeno produtor Mário de Castro, de 75 anos, há seis anos na atividade, disse que as chuvas danificaram a tal ponto a uva que mal dá para ser aproveitada por sacolões. Castro esperava colher 8,5 toneladas da fruta. Ele gastou R$ 2 mil em insumos. Ele e a mulher é que cuidam do parreiral. Castro disse que não tem condições financeiras para providenciar a tela que custa em média R$ 1,50 o metro quadrado. A uva é única fonte de renda do pequeno produtor. ''Não vou conseguir nada este ano, mas também não desanimo e nem vou deixar de viver por causa disso'', afirmou.
A estimativa da safra de verão de Marialva, cuja colheita se estende entre a segunda quinzena de novembro até o final de fevereiro, é de 15 mil toneladas de uva. Os produtores estimam a venda do quilo da uva por, no mínimo, US$ 0,60. Conforme o presidente da Cofrumar, o inverno tardio deste ano prejudicou a produtividade, mas contribuir para aumentar a qualidade da fruta que terá um teor maior de açúcar devido ao sol e calor.


