Chuva de granizo destrói lavouras na região de Foz
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Ana Maria Mejia 
Os agricultores das comunidades de Caramuru e Buriti, em Itaipulândia, (70 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) perderam as lavouras de soja, fumo e milho por causa da chuva intensa, antecedida por tempestade de granizo. A chuva começou por volta das 19 horas de sábado e durou entre meia e uma hora e meia, variando segundo a localização da propriedade.
De acordo com o secretário de Agricultura de Itaipulândia, Amantino Donini, o valor do prejuízo ainda não foi calculado mas as perdas foram totais. A camada fértil do solo foi arrastada para as baixadas, disse. Ele calcula que a recuperação da qualidade da terra será lenta, pois todo o trabalho de conservação do solo foi destruído. As águas não respeitaram barreiras, nem desnível de proteção.
Os 150 agricultores que tiveram suas propriedades atingidas perderam aproximadamente mil hectares de soja, 40 hectares de fumo e 200 hectares de milho. As sementes de soja, plantadas há aproximadamente 15 dias, foram carregadas pelas águas. O grave, segundo Donini, é que poucos produtores financiaram o plantio e ninguém tem seguro.
O pessoal optou pelo troca-troca ou pelo pacote para pagar na colheita, conta. O agricultor Mauri Peterson, 38 anos, plantou 38 hectares com soja. Recebeu o pacote - semente, herbicida e adubo - da Moinho Iguaçu e comprometeu-se a pagar 400 sacas de soja para quitar a dívida.
Com uma produtividade média de 40 sacas por hectare, ele esperava colher 1,5 mil sacas mais que suficiente para pagar o débito. Ontem ele disse, por telefone, que estava esperando a terra secar para avaliar o que sobrou.
Morador da região desde 1975, Peterson contou que nunca havia visto chuva tão intensa e localizada. Pelas 7 horas da noite começou a cair pedra e em seguida veio a água. Parecia que tinha nuvem no chão. A uma distância de cinco quilômetros não caiu nenhuma gota de chuva. Ontem, o sol brilhava e a temperatura atingia 35 graus centígrados.
Conscientes do tamanho do prejuízo, os produtores já fizeram os cálculos: se tivessem que arar a terra, adubar e corrigir com calcáreo só poderiam replantar em dezembro, fora do período recomendado para o plantio de soja. Além disso, o custo de R$ 25,00/R$30,00 por saca (50 quilos) de semente pesa nas contas. Vamos colher o que Deus deixou prá nós e plantar o milho-safrinha, conforma-se Peterson.


